Lula invoca Ulysses contra o “negócio” político
Em reunião ministerial, Lula expõe o balcão de negócios que tomou conta do Congresso: “degradação”
atualizado
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Lula reuniu seus ministros no Palácio do Planalto para uma despedida oficial daqueles que deixarão o governo para disputar as eleições. Mas o que começou como um agradecimento formal transformou-se em um diagnóstico sombrio sobre a saúde das nossas instituições.
Ao citar Ulysses Guimarães – que costumava advertir de que o próximo Congresso poderia ser pior que o atual -, o presidente tocou na ferida aberta da nossa democracia: a política transformada em mercadoria.
A verdade nua e crua é que chegamos a um nível de degradação onde mandatos parlamentares têm etiqueta de preço. Lula foi direto ao ponto: relatou ter ouvido que uma eleição para deputado federal não sai por menos de R$ 8 milhões. Se isso for a regra, é o fim de qualquer seriedade na vida pública brasileira.
Essa falência institucional é alimentada pelo controle sem precedentes que o Legislativo exerce sobre o Orçamento da União. O que nasceu como uma moeda de troca no governo de Jair Bolsonaro para evitar um impeachment, consolidou-se como um sequestro das verbas públicas. O dinheiro que deveria financiar saúde e educação sob a gestão do Executivo hoje irriga currais eleitorais por meio de emendas sem transparência.
A queda de braço no Supremo por clareza nesses gastos é apenas um capítulo de uma crise maior. Enquanto a política for feita com “p” minúsculo, voltada para o enriquecimento de grupos e a manutenção de privilégios, a profecia de Ulysses continuará nos assombrando.


