Lula à imprensa: “Seja livre, mas fale a verdade”
No modo combate para 2026, Lula deixa claro que o tempo da conciliação com a má-fé acabou
atualizado
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Lula deixou claro, mais uma vez, que não vai apanhar calado: o que se viu nas últimas entrevistas foi um presidente em modo de combate, já com o pé no estribo para 2026. Um dos alvos? A Faria Lima. Lula sabe que o mercado financeiro não o ama e nunca o amará. Ao atacar a fixação pelos juros e o descaso com a inclusão social, ele faz um aceno claro à sua base.
E, claro, a artilharia cruzou o oceano.
Lula saiu em defesa do Papa Leão XIV com uma indignação que não é apenas por respeito religioso, é política. Ao classificar como espetáculo de mau gosto a imagem de Donald Trump fantasiado de Jesus, o petista mirou no messianismo barato que alimenta a extrema-direita aqui e lá fora. Lula foi cirúrgico ao concordar com o pontífice: ninguém deve se encolher de medo do presidente americano.
Na segurança pública, o tom foi de soberania ferida. Lula deu um chega para lá nas pretensões de Washington ao tratar o narcoterrorismo como algo que exige intervenção externa. “Essa guerra é nossa”, avisou. O governo quer mostrar serviço com a nova lei antifacção para asfixiar o caixa do PCC e do Comando Vermelho, mas o recado implícito é outro: o Brasil não é quintal de ninguém, nem mesmo sob a justificativa de combater o crime organizado.
E, claro, não faltou o tradicional e necessário acerto de contas com a mídia. Lula reagiu com incômodo ao ver seu nome associado ao rolo do Banco Master e de Daniel Vorcaro em arte da GloboNews. Para ele, o PowerPoint da vez é um método no estilo da Lava Jato. O presidente fez questão de carimbar a fatura na conta de Jair Bolsonaro e da omissão de Roberto Campos Neto. Lula não pede imparcialidade – ele sabe que ela não existe -, ele exige honestidade. E, nesse jogo de narrativas, ele avisou que não aceitará ser o vilão de nenhuma mentira.
O presidente sentiu o cheiro de pólvora no ar e decidiu que, em 2026, quem quiser tirá-lo do Planalto terá que suar muito mais do que apenas dançar nas redes sociais.
A entrevista foi concedida ao Brasil 247, TV Fórum e DCM (Diário do Centro do Mundo)


