Flávio Bolsonaro e o comercial de margarina que não convence ninguém
O figurino de pai exemplar como escudo contra o desgaste da biografia do Clã Bolsonaro
atualizado
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A vida política, quando tenta se travestir de comercial de margarina, raramente resiste ao primeiro questionamento sério. O novo vídeo da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, recheado de afeto domiciliar e depoimentos da esposa, é uma peça de um virtuosismo calculado. Não se busca ali discutir o país; o que se oferece é o roteiro de uma moderação planejada — uma tentativa de vender um “Bolsonaro vacinado” para quem tem memória curta.
O objetivo do senador é colocar em prática uma anestesia coletiva através da imagem do pai de família dedicado que busca os filhos na escola.
Vemos em cena o esforço para humanizar quem carrega no currículo homenagens a milicianos e explicações mal resolvidas. Essa peça ignora o teto de vidro que vai de Brasília ao Rio de Janeiro. É uma engenharia de imagem: utiliza-se o café da manhã e o cotidiano como escudo para esconder a nudez de uma candidatura que carece de substância e sobra em pendências judiciais.
Não se deixe enganar por essa bonança de vitrine. A sucessão exige mais do que promessas de “destravar” o país sem dizer como. O silêncio de Flávio sobre a tentativa de golpe, sobre o passado e sobre suas reais propostas é ensurdecedor.
Para o Planalto, ele se consolida como o “adversário dos sonhos” : um nome que tem o peso do sobrenome, mas carece do carisma de Michelle (segundo disse o maquiador da ex-primeira-dama) ou da viabilidade de Tarcísio de Freitas.
É preciso notar a fragilidade desse movimento. Nem as grandes denominações evangélicas parecem entusiasmadas com esse figurino de conveniência. Na política real, o marketing pode até comprar o aplauso momentâneo, mas não apaga a digital de quem, sob o manto da moderação, continua sendo o elo mais fraco da corrente sucessória.
É esperar para ver.


