Flávio Bolsonaro e a liberdade de caluniar
A conta chegou para Flávio? Liberdade de expressão não é salvo-conduto
atualizado
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A família Bolsonaro, mestre na arte de transformar encrenca jurídica em palanque eleitoral, acaba de ganhar um novo roteiro para sua vitimização de estimação. O ministro Alexandre de Moraes, atendendo a uma representação da Polícia Federal, determinou a abertura de um inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro. O motivo? Uma postagem em que o “filho 01” associa o presidente Lula ao narcotráfico, ao terrorismo e a fraudes eleitorais.
Flávio, claro, já vestiu o figurino do perseguido. Grita aos quatro ventos que se trata de um ataque à sua “liberdade de expressão”. Mas liberdade de expressão, convém lembrar, não é salvo-conduto para a calúnia desbragada. O senador usa o que os analistas chamam de “apito”: sopra clichês vazios como para atiçar os seguidores mais radicais. É o discurso enlatado da extrema direita, que tenta substituir o debate de ideias pelo ataque pessoal rasteiro.
Enquanto Flávio se enrola nas redes, seu irmão Eduardo tenta, lá dos Estados Unidos, criar uma narrativa internacional de censura. O escalão avançado do bolsonarismo nos arredores da Casa Branca, protesta contra Moraes como se o Brasil fosse uma terra sem lei.
A estratégia é manjada, mas o cerco está se fechando. Flávio tenta se vender como um “moderado”, uma fantasia que derrete a cada postagem colérica.
No teatro bolsonarista, a verdade é uma escolha, não um fato. Mas, para a Justiça, as provas ainda falam mais alto que os tweets. Flávio agora terá que explicar onde termina sua opinião e onde começa o crime de injúria.
A conferir.


