Caiado usa discurso da vivência contra juventude de Flávio Bolsonaro
Caiado avisa que “não se aprende na cadeira” e aponta falta de experiência de Flávio para governar.
atualizado
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Ronaldo Caiado é a aposta oficial de Gilberto Kassab. O governador de Goiás, que já foi de tudo um pouco, agora se lança à presidência pelo PSD com um discurso que tenta equilibrar o conservadorismo clássico e o aceno desesperado à extrema direita.
O seu cartão de visitas? Uma anistia “ampla, geral e restrita” para Jair Bolsonaro, tentando ressuscitar a retórica de pacificação de Juscelino Kubitschek.
Mas a comparação com JK para por aí.
Na prática, o que Caiado faz é pegar votos de Flávio Bolsonaro, o espólio do ex-presidente. Caiado subiu o tom e foi direto ao ponto: disse que Flávio “não tem vivência nem experiência de governar” e que o “ímpeto da idade” não substitui o senso de equilíbrio.
No entanto, o maior inimigo de Caiado atende pelo nome de PSD. Sem palanque nos grandes colégios eleitorais, Caiado corre o risco de pregar para convertidos e terminar a eleição como começou: isolado.
Caiado vende a imagem do “xerife” que combate o crime organizado, mas carrega o estigma de um político ultrapassado, com um DNA reacionário que remete aos tempos em que subia no cavalo branco para enfrentar o MST.
Para Lula, a candidatura de Caiado é um cenário confortável: no segundo turno, o PSD tende a se inclinar para o governo, especialmente com dois ministros do partido já “segurados” no Palácio do Planalto.
A verdade é que Caiado está em uma corrida contra o tempo e contra o próprio ostracismo. Se perder, sai do palco definitivamente para a aposentadoria política.
No palco da sucessão, o pré-candidato tenta ser o protagonista, mas pode acabar apenas como o coadjuvante que ajudou a pavimentar o caminho alheio.


