Caiado tenta sentar em duas cadeiras e arrisca o tombo
O dilema de quem precisa do voto bolsonarista, mas busca o aperto de mão dos moderados
atualizado
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Ronaldo Caiado pode até ser uma raposa política no equilibrismo, mas a corda nunca esteve tão esticada. O encontro com Eduardo Leite no Rio Grande do Sul, vendido como uma convergência de forças contra a polarização, revelou, na verdade, o tamanho do fosso que ainda separa a direita moderada do radicalismo bolsonarista que Caiado tenta herdar.
Leite deixou claro nos bastidores: o apoio não é incondicional. O governador gaúcho não aceita o pacote de anistia aos golpistas de 8 de janeiro – o mesmo pacote que Caiado precisa defender para não perder o eleitorado órfão do “capitão”.
Enquanto Caiado tenta costurar alianças com fios de seda e ressalvas, Flávio Bolsonaro prefere a marreta – ou o constrangimento. Ao chamar Tereza Cristina, a ex-ministra que é autoridade máxima no agronegócio, de “vozinha”, o senador 01 não fez apenas uma gafe geracional, ele escancarou a falta de estatura política para lidar com o PIB brasileiro. Tereza Cristina já avisou que não pretende ser vice de quem ainda não se provou maior do que o sobrenome que carrega.
O PSD de Gilberto Kassab assiste a tudo isso com o pragmatismo de quem sabe que “até macaco cai da árvore”. O partido quer Caiado, mas aceita os 15% como moeda de troca para o segundo turno. A estratégia é clara: se Caiado não decolar, o PSD estará pronto para leiloar seu apoio a quem oferecer mais garantias de governabilidade.
Caiado quer o voto do bolsonarista e o aperto de mão do moderado. Pode acabar descobrindo que, na política, quem tenta sentar em duas cadeiras ao mesmo tempo costuma terminar no chão.


