Um mineiro na Amazônia (por Mariana Caminha)

Mesmo depois de sua partida, Fernando Sabino continua presente na minha vida

atualizado

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FernandoSabino
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Dos privilégios herdados, sem dúvida um dos maiores foi ter conhecido — e convivido, ainda criança — com o grande escritor Fernando Sabino, amigo de meu pai. Lembro-me de alguns encontros com ele na nossa casa, em Fortaleza, e dos carimbos de gatinho com os quais ele estampava meu braço — possivelmente uma referência ao livro O Gato Sou Eu.

Mesmo depois de sua partida, Fernando Sabino continua presente na minha vida. Como agora, às vésperas de mais uma viagem a Manaus — cidade que adoro visitar. Ao saber do itinerário, papai aproveita para enviar aos meus tios Ana Cláudia e Cabral, recém-chegados à capital manauara, um livro de crônicas. Curiosa, pergunto do que se trata e me surpreendo ao saber que Fernando Sabino dedicou uma obra inteira à cidade de Manaus.

Obviamente, li o livro antes de entregá-lo aos tios. Como resistir?

O Encontro das Águas – Crônicas irreverentes de uma cidade tropical, publicado em 1977 pela Editora Record, é uma coletânea em que Sabino narra suas impressões ao desembarcar em Manaus em 1976. É fascinante passear por suas observações — ele descreve a cidade e a floresta amazônica com encanto, curiosidade e reverência.

Cronista dos bons, Fernando Sabino fala sobre a natureza, as comunidades indígenas, a beleza do Teatro Amazonas. Mas também escreve sobre a exploração econômica e o avanço urbano que ameaça uma das nossas maiores riquezas.

Um mineiro na Amazônia. Assim como ele, também olho para a região com espírito de descoberta. Não importa quantas vezes eu vá — a primeira foi aos 7 anos, presente de formatura da alfabetização. Meus pais sabiam da importância de conhecer esse lugar encantador. Hoje, repito a tradição com meus filhos. Ambos já visitaram a floresta. O mais velho, inclusive, ganhou a viagem dos avós, perpetuando o gesto.

Ao fim do livro, citando o então presidente do Zaire — pequeno país africano —, Sabino escreve: “A riqueza de um povo é medida pelos seus esforços a favor da conservação da natureza, do seu ambiente natural, ou seja, pela capacidade de conseguir preservar a sua própria alma.”

E não importa quantas vezes a visitemos. Como escreveu Euclides da Cunha: a Amazônia é uma terra que, para ser compreendida, requer uma vida inteira.

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