Trump esbarra em serenidade de Leão XIV (por Marcos Magalhães)

A mensagem do Papa é clara: “segundo o Evangelho, abençoados são os que buscam a paz”

atualizado

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Papa Leoão XIV - Metrópoles
1 de 1 Papa Leoão XIV - Metrópoles - Foto: Reprodução redes sociais

O destempero verbal do presidente Donald Trump, estimulado pela crise que ele mesmo criou no Irã, parece ter encontrado um direto contraponto, no final de semana, com as palavras serenas do papa Leão XIV.

A bordo de um avião que o levaria a uma turnê de dez dias na África, o papa rebateu as críticas que recebera de Trump e reiterou, em conversa com repórteres, a defesa de uma solução pacífica para os conflitos.

Ele não temeria uma resposta do governo dos Estados Unidos? Esta foi a primeira pergunta feita ao Papa.

“Eu não tenho medo da administração de Trump, nem de apresentar a mensagem do Evangelho”, disse Leão XIV. “Penso que é isso que sou chamado a fazer, que a Igreja é chamada a fazer. Nós não somos políticos nem estamos fazendo política externa, na perspectiva que ele poderia entender isso”.

O papa conversava em pé com os jornalistas, no corredor do avião. Falava pausadamente, sem deslizar para o confronto. Mas a mensagem era clara: “segundo o Evangelho, abençoados são os que buscam a paz”.

E a paz ainda parece estar por um fio no Oriente Médio. Após o fracasso das negociações de paz no Paquistão, onde esteve o vice-presidente americano J.D. Vance, continua a correr o pequeno prazo para o fim do cessar-fogo com o Irã.

Trump insiste em dizer que os iranianos estão “loucamente” atrás de uma solução negociada para o conflito que pode ser retomado em poucos dias. Será? Até aqui o que se vislumbra é um impasse. Além de uma muito pequena aprovação internacional à atuação dos Estados Unidos.

Criticado externa e internamente, o presidente americano acionou mais uma vez sua metralhadora giratória. E decidiu colocar no alvo o papa Leão XIV, que tem sido ativo na condenação da guerra no Irã.

Primeiramente escreveu duras palavras em uma mensagem em sua rede social, a Truth Social. “O papa Leão é fraco contra o crime e terrível em política externa”, escreveu Trump. “Eu não quero um Papa que critica o presidente dos Estados Unidos porque faz o que foi eleito para fazer”.

Insatisfeito, voltou à carga em conversa com jornalistas mais tarde. “Não sou grande fã do papa Leão”, disse Trump em conversa com a imprensa na base aérea de Maryland. “Ele brinca com um país que quer uma arma nuclear”, prosseguiu o presidente, após os apelos de paz feitos horas antes pelo líder católico.

Como no capítulo seguinte de um folhetim, Trump publicou em sua rede social uma imagem de si mesmo trajando roupas como as da época de Jesus Cristo.

Suas mãos, como as de um líder religioso, tocavam a testa de um homem enfermo. Quase o retrato de um santo. A imagem sumiu das redes após as críticas, mas o egocentrismo do presidente ainda resplandece.

O contraste entre a autoimagem de Trump e a moderação das palavras do Papa tem muito a dizer sobre o atual cenário global, marcado por ameaças e recuos do líder americano e por crescente sensação de instabilidade.

É como se tudo pudesse vir a acontecer logo ali na esquina. Ou nada. O tom impetuoso de Trump é abastecido em voo pela sua vaidade. E o resto do mundo se acostuma a um tempo em que o mais previsível é a imprevisibilidade.

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