Terceira via à moda brasileira (por Felipe Sampaio)

Quem representaria uma Terceira Via? Seria o Caiado? Ou seria o Zema? Ou Aldo Rebelo? Resposta: nenhum deles!

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Divulgação/PSD
Kassab e Caiado
1 de 1 Kassab e Caiado - Foto: Divulgação/PSD

É sempre assim na Terra da Santa Cruz. Em ano de eleição aparece um monte de candidato se dizendo ‘terceira via’, como alternativa aos dois concorrentes que liderem um páreo. Em 2026 já tem gente correndo por fora do certame presidencial, se autoproclamando ‘terceira via’. Cá entre nós, quem prega anistia para o bando que tentou dar um golpe de Estado e matar autoridades passou longe de ser Terceira Via.

A verdadeira Terceira Via ganhou alcance mundial puxada pelo charme de líderes como o ianque Bill Clinton e o britânico Tony Blair. Tentava firmar-se, por um lado, como uma opção ao capitalismo troglodita de Reagan e Margaret Thatcher e, por outro, ao Estado de bem-estar social europeu (avançado demais para Wall Street). Um “caminho do meio”, parodiando os budistas. Seria um governo sensível às desigualdades sociais e ao meio ambiente… sem botar o nariz na vida dos mercados (chamavam esse imprensado meio difuso de “Estado do tamanho certo”).

Então, voltando às eleições daqui, que alternativa representaria uma Terceira Via? Seria o Caiado? Ou seria o Zema? Ou Aldo Rebelo? Resposta: nenhum deles! A mania de tratar uma terceira candidatura como sendo a Terceira Via cria a ilusão de que, entre dois polos (no caso, Lula e o bolsonarismo) é melhor escolher um terceiro, conciliador, que ‘governe para todos’. Pode acreditar, em 2026, os candidatos do PSD (direita reacionária), do Novo (direita anarcoliberal) e da Democracia Cristã (direita nacionalista) não são Terceira Via.

Acontece que na nossa história recente os únicos partidos brasileiros situados em um campo político assemelhado à Terceira Via continuam sendo o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que formam agora a chapa do governo. Mesmo se considerarmos que os ventos políticos pendulares às vezes balancem o PT mais para a esquerda, ou balancem o PSB um pouco para o centro, ambos, na média, trafegam na frequência do que ainda se pode chamar Terceira Via. É bem verdade que o PSDB também manteve esse perfil até o governo Fernando Henrique, mas depois virou um volume disforme.

Pode-se considerar que, na sua origem em pleno regime militar, o PT se situava no terreno do socialismo democrático, sendo um partido ligado aos sindicatos e outros movimentos sociais. Propunha um Estado promotor da equidade social, provedor de serviços públicos e regulador da economia. Com o tempo, deu um passo para o centro esquerda em função da necessidade de diálogo com a direita democrática, geralmente numa perspectiva tática (localizada e temporária). Já o PSB, apesar do nome Socialista, tem origem em um estrato político e econômico que pode situá-lo na Terceira Via desde o berço. Demonstra compromisso social e ambiental, sem romper com as ideias econômicas majoritárias. Com o tempo, tem se reinventado como centro progressista.

Ou seja, a Terceira Via já seria ‘terceira’ mesmo que não houvesse primeira nem segunda candidaturas. Ela não se torna ‘terceira’ por razões instantâneas. Em 2026, apesar de a chapa PT/PSB ser a primeira nas pesquisas, é ela a chapa do equilíbrio, que se pode chamar de Terceira Via (com apoio de uma frente ampla, formada pelo centro progressista, esquerda democrática e direita moderada) – melhor para o povo, para a política e para a economia. Muitas vezes, o terceiro candidato pode representar o oposto do que o eleitor espera de uma sociedade pacífica e próspera. No Brasil de 2026, só existe uma chapa tipo Terceira Via (a do governo). O resto representa os setores da direita mais arcaica e despreparada do País.

Felipe Sampaio: Cofundador do think tank Centro Soberania e Clima; com atuação em grandes empresas, organismos internacionais e terceiro setor; dirigiu a área de estatísticas no Ministério da Justiça; chefiou a assessoria especial do Ministro da Defesa; foi subsecretário de Segurança Urbana do Recife, é diretor de programas no Ministério do Empreendedorismo e Microempresa.

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