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Sussurro na Província: Carlismo de Neto, fadiga do PT (por Vitor Hugo)

ACM Neto, disparado na frente em aprovação popular, até aqui, afasta pedreiras e pedregulhos que possam atrapalhar sua corrida ao governo

atualizado 23/07/2022 4:41

O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato a governador na Bahia, ACM Neto em evento. Ele usa máscara e aplaude - Metrópoles Divulgação / União Brasil

“Se quiser entender os motivos de tanto barulho na Corte, preste bem atenção nos gemidos que se escutam nas províncias”. Este pensamento vem do tempo do famoso Baile da Ilha Fiscal (Rio),do enterro luxuoso do Império no Brasil, repetido no meio do tumulto que então reinava. Em muitos casos, semelhantes, embora não tão vergonhosos, perante o mundo, quanto os descalabros dos republicanos dias que correm – tipo o espetáculo grotesco e politicamente primário, do mandatário da vez, Jair Bolsonaro, ao convocar embaixadores para desacreditar, com falsas informações, o sistema eleitoral brasileiro, das urnas eletrônicas, e atacar ministros do Tribunal Superior Eleitoral (Luiz Fachin, Luiz Roberto Barroso e Alexandre de Moraes) em tempos eleitorais.

Assim, pode-se afirmar: comparado com a antiga Província da Bahia – na corrida para as urnas de 2022 – nenhum outro lugar do país é tão pródigo em arranjos estratégicos, trocas de acusações entre aliados, insinuações ferinas, tacadas judiciais ou choro de líderes nos palanques. A exemplo do que aconteceu com o governador Rui Costa(PT), no interior do estado, há poucos dias, ele que não é de lágrimas e lamentações.

Sinal de alerta veio com o afastamento temporário do ex-senador petista, Jaques Wagner, – da coordenação nacional da campanha de Lula, em São Paulo, – para chegar em Salvador “de supetão”, para “dar a mão” ao governador Rui Costa, no seu esforço de empurrar a pesada candidatura do desconhecido militante petista, de Feira de Santana, Jerônimo Rodrigues, ao Palácio de Ondina. Pesquisas desta semana, revelam que ACM Neto (UB), já soma mais de 50 pontos percentuais sobre seus oponentes mais bem avaliados: Jerônimo Rodrigues (PT) e o “bolsonarista” João Roma.

Em entrevista na Tribuna da Bahia e a Mário Kertész, na Radio Metrópole, Wagner prefere ironizar ao citar uma frase atribuída a Rui Costa: “OK, eles ganham nas pesquisas e nós ganhamos nas urnas”. Anunciou que vai enveredar pelos arraiais eleitorais mais profundos do sertão do estado.Cobrou participação mais ativa do senador e aliado, Ângelo Coronel que, na avaliação dos petistas, estaria se esquivando do palanque de Jerônimo Rodrigues, para cuidar da campanha do filho à Câmara… Mas recebeu o baque de bastidores, nesta sexta-feira, 22, para o petismo, de que está praticamente decidido: o velho aliado e amigo do peito, Marcelo Nilo, deputado federal e várias vez es ex-presidente da Assembleia Legislativa estadual, deverá ser o vice na chapa do neto de ACM (“o original”, no dizer de Kertész), o que reforça o “feeling” local que aponta “para o renascimento do carlismo, liderado por Neto e graças à erros e estafa do PT”, como gritou na Tribuna da Bahia”, o presidente regional do PSOL. “Eu mereço ser o vice de Neto”, assume Nilo.

ACM Neto (UB), disparado na frente em aprovação popular, até aqui, afasta pedreiras e pedregulhos que possam atrapalhar sua corrida para Ondina, onde o avô já foi rei. Um deles, o murmúrio de que seria “aliado por baixo dos panos”, da campanha de Bolsonaro.

Esta semana, por sete votos a zero, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia proibiu “a associação feita pelo PT baiano, nas redes sociais, do candidato ACM Neto com o presidente Bolsonaro. Tem mais gritos e sussurros na “antiga Província”, com reflexos na Corte de Brasília. Mas o espaço acabou e fica para outra vez.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: [email protected]

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