Respiros (por Mirian Guaraciaba)
Massagem em meio à natureza, drinque com amigos, um pouco de desafogo para esquecer as agruras da vida, Trumps e Bolsonaros.
atualizado
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O nome do rio é Paciência, a cachoeira nasce no Vale da Luz. Holística tem 7 letras, quer dizer movimento, em busca do que se quer na vida. Tudo para dar certo. Vera Holística atende há 20 anos na Chapada dos Guimarães. No meio do rio, uma pedra imensa, lisa, serve de cama. Ali, sob o sol e o frescor da mata, o barulho suave da cachoeira, Vera faz uma massagem delicada com argila para limpar corpo e alma.
Vera canta e “ora” durante a liturgia – para a pessoa se concentrar na massagem, não viajar em pensamentos ruins, diz ela. O ritual dura pouco mais de uma hora. Deleite absoluto. Da pedra à água gelada do rio e às cascatas da cachoeira que batem no corpo, tirando a argila, perdoando as culpas, aliviando o peso do momento tenebroso que vivemos no mundo.
A 65 quilômetros de Cuiabá, a Chapada dos Guimarães é seguramente um dos lugares mais lindos desse Brasil que se exibe nas praias, nos rios, nas florestas. Vera Holística está ali há 26 anos. Cuiabana, começou suas práticas espirituais em Minas, com José Trigueirinho Neto, líder religioso, fundador da Comunidade Luz Figueira. Trigueirinho morreu há três anos, deixou 80 livros e seguidores pelo Brasil e pelo mundo.
Vera Holística também tem fãs pelo Brasil. Grazi Massafera frequentou o Vale da Luz anos seguidos. São amigas até hoje. Levou até a Holística amigos e colegas de profissão. Zeca Pagodinho, quem diria, também andou por lá. Rodrigo Santoro (“um espetáculo de pessoa”, diz Vera) foi mais de uma vez e saiu encantado.
É assim que a gente se sente quando sai do rio Paciência. Vera Lucia da Silva Rocha, nos seus 60 anos, mãe de dois filhos, viúva, tem esse poder. Em conexão absoluta com a natureza, promove um momento de respiro. De alivio.
LOBO EM PELE DE PADRE – O tal Frei Gilson está par e par com Juliano Cazarré. Popular, com milhões de seguidores, Gilson pregou que a mulher não quer trabalhar, quer empoderamento, “coisa do diabo”. A mulher foi criada para ajudar o homem, diz Gilson.
Flávio Bolsonaro, para surpresa de ninguém, já está articulando encontro com Gilson, para angariar votos de católicos ultraconservadores, retrógrados. Na mesma semana, o ator Juliano Cazarré lançou plataforma para ensinar os homens a serem mais fortes. “O farol e a forja”.
Tanto um quanto outro foram detonados nas redes. Por artistas e por gente do povo. E defendidos. Também para surpresa de zero pessoas, Cazarré foi apoiado por Claudia Leite, Caio Castro, Theo Becker, Julio Rocha, e o prefeito de SP, Ricardo Nunes, entre outros. Os ataques foram fulminantes, o que mais machucou Cazarré foi a paródia de Fabio Porchat, brilhante.
As mensagens misóginas de Gilson e Cazarré reforçam o machismo estrutural, que violenta e mata mulheres, e influenciam negativamente crianças e adolescentes.
Na contramão de Cazarré e Gilson, uma voz potente saiu em defesa das mulheres. Ana Paula Renault, vencedora do BBB 26, com mais de R$ 5,8 milhões na conta, e 9 milhões de seguidores, fez um discurso pra lá de enfático: “Vem do patriarcado a tentativa de silenciar mulheres que ousam ser autenticas. Saibam: nossa voz não tem validade. Tem história, tem luta, tem resistência. Mulher nenhuma nasceu para ser invisível”.


