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O Senado em Alta: Quem Comprará Essa Ação? (por Roberto Caminha)

Se o meu Brasil brasileiro fosse uma empresa listada na bolsa, 2026 seria um ano de forte volatilidade

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Hugo Barreto/Metropóles @hugobarretophoto
Fachada do Congresso Nacional e Palacio do Planalto deputados e senadores e presidente Brasil Brasilia - Metropoles
1 de 1 Fachada do Congresso Nacional e Palacio do Planalto deputados e senadores e presidente Brasil Brasilia - Metropoles - Foto: Hugo Barreto/Metropóles @hugobarretophoto

Então vamos nos preparar e eleger, com a ajuda do Pai, do Filho e do Espírito Santo: uma Angela Merkel, Golda Meir, Margareth Thatcher ou um Nayibe Bukele.

Se o meu Brasil brasileiro fosse uma empresa listada na bolsa, 2026 seria um ano de forte volatilidade. Não por causa do dólar, nem do petróleo — mas por causa do Senado.

Sim, meu jovem leitor de 16 anos e meu veterano de 70 que já viu cinco moedas nascerem e morrerem: o Senado é hoje uma das instituições mais estratégicas do país. E em 2026, ele entra no mercado político como ação blue chip.

Vamos aos motivos. O Senado não é apenas uma casa revisora de leis. Ele aprova ministros do Supremo Tribunal Federal, sabatina dirigentes do Banco

Central, decide sobre autoridades e pode instaurar CPIs. Em outras palavras: influencia diretamente o rumo da economia, da Justiça e da estabilidade institucional. Não é pouca coisa. E 2/3 desse atual Senado Federal, de tamanha importância, mudará. Cinquenta e quatro senadores irão colocar os seus mandatos para os fiéis eleitores comprarem as suas ideias para os próximos oito anos. Os 27 restantes aproveitarão a oportunidade para serem candidatos aos governos de suas abençoadas terrinhas, afinal, ninguém é de ferro e deixa passar o convite de chegar perto do cofre, e do cadeirão do poder, sem arriscar seus mandatos.

O nosso Senado é um ótimo “ativo estratégico”.

Na lógica econômica, ativo estratégico é aquele que pode mudar o jogo. No Brasil, isso inclui o Supremo Tribunal Federal, o Banco Central do Brasil e as grandes decisões fiscais.

E quem participa dessas decisões? O nosso Senado.

Por isso, cada cadeira em disputa em 2026 terá peso político e econômico. Investidores olham para a nova composição do Congresso com a mesma atenção que olham para o resultado fiscal. Não é teoria puramente conspiratória — é a cristalina realidade institucional.
Estabilidade institucional reduz risco. Redução de risco reduz juros. Juros menores estimulam investimento. Simples assim.

Ou, como ensinava meu professor de economia, o Senador Jeferson Peres: “economia é a arte de administrar restrições”. E a maior restrição do Brasil não é falta de recurso — é falta de previsibilidade.

Vamos traduzir para a linguagem da Faria Lima e das esquinas do seu bairro. Num mercado financeiro, existe: risco, volatilidade, expectativa e prêmio. Na política, também.

Se o Senado sinaliza equilíbrio e respeito às regras do jogo, o “risco Brasil” cai. Se sinaliza conflito permanente, sobe. E quem paga essa conta? Nós, os fiéis e indefesos contribuintes.

Cada senador tem mandato de oito anos. Oito. Isso atravessa dois governos. É um horizonte longo, quase um investimento de renda fixa institucional.

Quem ocupa essas cadeiras influencia: reformas econômicas, indicações estratégicas, relações entre poderes. Portanto, a eleição de 2026 não será apenas disputa de nomes. Será disputa de perfil institucional.

Para o jovem eleitor: talvez pareça distante. Mas a taxa de juros do seu financiamento estudantil depende de confiança institucional.
Prudência nunca foi fraqueza. Não se trata de defender lado A ou B. Trata-se de defender regras estáveis.

Roberto Campos dizia que o Brasil tem “surto de racionalidade” seguido de recaídas emocionais. A eleição de 2026 será teste de maturidade institucional. A minha arrumadeira, bastante avariada das ideias, depois da COVID, já me perguntou: Patrãozinho, dessa vez serão dois votos para o Senado. O meu voto anterior custava cem pilas. Eu posso pedir duzentos para cada um?

A Mariinha consegue me nocautear e deixar nos córneres da vida. Aí chega o complemento da pergunta.

-Patrãozinho, da última, eu recebi de quatro candidatos.
-Pô, doida, vais acabar sendo presa! Cortei o papo.
-Então vão prender todo mundo lá no bairro.

Quem comprará essa ação blue chip? No mercado político, quem “compra” é o eleitor. Por isso, mais do que nomes, importa entender as propostas, histórico, comportamento institucional.

O nosso Senado de 2026 pode: reduzir ruído institucional, fortalecer segurança jurídica, melhorar ambiente de negócios. Ou pode ampliar volatilidade. A escolha será só nossa e das Mariinhas verde-amarelas. E como em qualquer mercado sério, quem decide, precisa estudar o prospecto antes de investir. Será se a minha Mariinha vai entender tudo isso, quando na sua casa tem três bolsas do Governo?

Porque, no fim das contas, o Brasil não é uma ação especulativa. É o nosso patrimônio comum. E esse, meu caríssimo e elegante eleitor amigo, não pode ser tratado como aposta de curto prazo.

Então vamos nos preparar e eleger, com a ajuda do Pai, do Filho e do Espírito Santo: uma Angela Merkel, Golda Meir, Margareth Thatcher ou o preferido do mundo: o espetacular Nayibe Bukele.

 

Roberto Caminha Filho, economista, imagina quanto a Mariinha pedirá pelo seu voto e dos outros quatro da sua casa! Eu saberei e escreverei aqui.

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