O pior presidente dos EUA (por Mirian Guaraciaba)
Tarimbeiro, Trump declara guerra ao Papa
atualizado
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Donald Trump está em 45º. lugar, entre os 45 presidentes americanos avaliados pelo Northwest Progressive Institute. Seus dois governos (2017 a 2021 e o atual) foram (des)qualificados como os piores governos da história dos EUA.
Ah.. o instituto é progressista. Se fosse conservador, nem divulgaria tal pesquisa. Trump é ditador, beligerante, vingativo. Do lado de cá, esse tipo é conhecido. E está preso. Trump está livre para fazer e dizer barbaridades, inacreditáveis pelo nível de intolerância e agressividade.
O NPI acusa Trump, em seu primeiro mandato, de “dirigir um regime corrupto, desrespeitando leis de ética e cortando impostos dos mais ricos”. No segundo mandato, “está atacando a democracia americana” descaradamente. A avaliação foi publicada em 20 de fevereiro último. Horas depois, Trump postou em sua rede social que, “de acordo com a maioria, está fazendo o melhor mandato da história dos EUA”.
Como “empreendedor”, Trump levou seis empresas à falência, por má gestão. Todas administradas por ele. Nada demais diante do que faz agora, levando o mundo ao pânico generalizado.
O pior presidente da maior economia do mundo, Trump não economiza esforços para reduzir ao mínimo todos os programas sociais de seu País. Começou com Elon Musk, hoje ex-amigo e ex-assessor, orientado a destruir a USAID, resultando em mortes por fome e doenças evitáveis. Foi só a primeira providência.
A colunista do jornal The Guardian nos Estados Unidos, Rebecca Solnit, relata, em artigo publicado nesse domingo, 12 de abril, dezenas de outras medidas demolidoras. “Parece um vingador contra o País que o rejeitou em 2020”. A guerra contra o Irã não teve motivo específico. Usou-se a palavra “diversão”, acusa Rebecca. E o apoio a Israel na matança de milhares de palestinos?
Os jornais diários, alerta a articulista, retratam a cruel política externa, mas não mostram a sabotagem que Trump promove contra o próprio País, especialmente na economia e preservação do meio-ambiente. Rebecca Solnit aponta Trump como responsável pelo que chama de “desmonte” da máquina estatal em todos os setores que deveriam ser usados para proteger a população – saúde pública, segurança alimentar, programa de vacinação, ar e água limpas, programas sociais, direitos civis e o estado de direito.
Nesse caos, Trump arranjou mais uma encrenca, das bravas. Declarou guerra ao Papa. Na última segunda, 13, criticou o Chefe da Igreja Católica com sua habitual forma grosseira, desdenhosa e desrespeitosa. Chamou Leão XIV de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa, e que só foi eleito porque é americano”. Trump diz que “não quer” um Papa que “ache normal o Irã ter armas nucleares”.
O Papa não recuou. Repetiu críticas duras à política americana. “Continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz e o diálogo para encontrar soluções justas para os problemas”. Os ataques ao Papa repercutiram à direita e à esquerda. O mundo está cansado do script de Trump. Todos horrorizados com a imagem gerada artificialmente por ele em suas redes em que se mostra como Jesus. Blasfêmia, disseram cristãos, católicos ou não.
No que diz respeito às relações da Igreja Católica com governos totalitários, como o de Trump, a história traz variantes radicalmente opostas. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma das versões sobre o Papa Pio XII indica que ele sabia de todas as atrocidades praticadas por Hitler e nada dizia. A segunda suspeita que o Papa da Segunda Guerra Mundial foi vítima de campanha de difamação pela Gestapo, e teria escudado milhares de judeus contra a policia nazista.
Pio XII não era santo. Em abril de 1939, num discurso radiofônico, declarou “imensa alegria” pela vitória do General Francisco Franco na Guerra Civil Espanhola contra seus rivais republicanos e comunistas. Seu lado ultraconservador considerou que só Franco faria a Espanha ser “um bastião inexpugnável da fé”. Leão XIV, na escola de Francisco, já deu provas de que não se dobrará à soberba de Trump.
BONS VENTOS – O eleitorado húngaro destronou o ultradireitista Viktor Orban, irmão de Bolsonaro, no cargo há 16 anos, e elegeu o centro-direita Peter Magyar. O mundo respirou um pouco mais aliviado.
MAUS VENTOS – O ex-deputado e ex-Abin Alexandre Ramagem não queria ficar preso pela “pior ditadura do mundo” (Brasil) e fugiu para os states. Foi detido pela democracia mais antiga do mundo. Em poucas horas, a notícia de sua prisão pelo ICE (polícia boazinha de Trump) gerou 2,5 milhões de interações nas redes sociais. Imaginem quando Carla Zambeli aterrisar no Brasil, direto pra Papuda.
Sobre o julgamento de Leão XIV a propósito da beligerância de Donald Trump: “O mais atroz das coisas más, é o silêncio das pessoas boas”, Mahatma Gandhi.


