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O horror do fascismo no horizonte (por Ricardo Guedes)

Hitler assombrou o mundo com o nazismo. E o horizonte parece caminhar para lá.

atualizado

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Manifestantes de extrema direita fazem saudação fascista em comício em Roma
1 de 1 Manifestantes de extrema direita fazem saudação fascista em comício em Roma - Foto: Redes Sociais/Reprodução

O modelo é simples: 1. A economia de mercado, ao invés de redistributiva, se mostrou concentradora da renda e do capital. Hoje, 2.500 famílias no mundo detêm o patrimônio equivalente a 12% do PIB mundial.

2. As classes médias nas economias de mercado têm sido comprimidas em sua renda. Até 1980, todas as classes prosperaram, a alta, a média e a baixa, com o declínio das classes médias a partir de 1980. As classes médias são fundamentais para o equilíbrio político e econômico de uma sociedade. Dependem de estabilidade para manter o compromisso democrático. Na ausência de renda, passam a dar suporte a líderes radicais de direita, abrindo mão de qualquer racionalidade para a sua sobrevivência.

3. Os recursos naturais se tornam escassos com o início da crise ecológica. Devido à crescente escassez, os líderes das sociedades assumem maior poder sobre as decisões e controle das economias, com atitudes antidemocráticas.

Assim foi o nazismo, com a hiperinflação em 1922 e a emissão de papel moeda para saldar as indenizações do pós-1ª Guerra pelo país, com a compressão extrema das classes médias e crescimento do Partido Nazista em detrimento da Social-Democracia alemã.

Assim está sendo com as economias atuais, como nos Estados Unidos, Hungria, Itália, Argentina, e recentemente no Brasil, como também subjacente em vários países.

Em 1960, o PIB mundial era de US$ 1,37 trilhões, 2/3 do PIB brasileiro atual, com o modelo econômico mais descentralizado. Hoje, com o PIB em US$ 111 trilhões, o mundo encontra-se centralizado por grandes corporações, com a oligopolização da economia nos setores decisivos. Torna-se difícil para que movimentos oriundos das bases sociais façam prevalecer os seus interesses.

Ou seja, concentra o econômico, decai a classe média, e limita o meio ambiente, com consequências fúnebres sobre a política representativa.

Há a necessidade de que as atuais elites das democracias eleitorais, quando eleitos, de “esquerda”, “centro, ou “centro-esquerda”, remunerem as classes médias com benefícios econômicos, restaurando os princípios democráticos, ou no horizonte veremos somente o fascismo, a prosperar.

Os governantes têm que atender às classes médias.

É simples assim. Ou veremos o nosso fim. O fim das civilizações democráticas.

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”

 

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