O Brasil e o mundo em 2027 (por Marcos Magalhães)

Em tempos de múltiplas crises, como o país se apresentará ao mundo a partir de janeiro de 2027?

atualizado

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Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto e Ricardo Stuckert/PR
Imagem colorida mostra Lula e Flávio Bolsonaro
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Dizem que política externa não decide eleições. Mas as eleições indicarão a política externa a ser adotada pelo Brasil em um momento de guerras, crise climática, bloqueios navais e quebra de importantes cadeias de produção.

Em tempos de múltiplas crises, como o país se apresentará ao mundo a partir de janeiro de 2027? Como fiel aliado a uma superpotência ou como ator independente em busca de uma ordem internacional mais justa e pacífica?

A pouco mais de cinco meses das eleições, é bom estar atento aos sinais emitidos pelos principais postulantes ao Palácio do Planalto. Eles antecipam como o Brasil se integrará ao mundo e como o mundo verá o Brasil.

Por isso, é bom prestar atenção ao que disseram, recentemente, os dois pré-candidatos com maiores índices nas pesquisas eleitorais até o momento: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A começar pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que busca se apresentar como nova face do conservadorismo. Há um mês, em evento no Texas, ele criticou o atual governo brasileiro e apostou em uma conexão direta com Washington.

“Lula e seu partido são abertamente antiamericanos”, disse Flávio durante a Conferência de Ação Política Conservadora. “Ele fala publicamente sobre minar o dólar como moeda global. Ele aliou o Brasil à China em grande escala. Ele se opôs aos interesses americanos em todos os itens da política externa”.

O senador prometeu lutar contra a “agenda ambientalista radical”, a “agenda woke” e os “interesses das elites globais”. E pediu aos Estados Unidos para aplicar pressão diplomática por “eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana”.

Por último, indicou que, no governo, abriria caminho para que empresas americanas explorem minerais críticos no Brasil. Sem esses minerais, observou, a “revolução tecnológica na América fica estagnada”. E a segurança nacional – dos Estados Unidos, naturalmente – “se torna vulnerável”.

Um mês depois, em giro pela Europa, Lula apresentou uma visão de mundo bem diferente. Em vez de adesão a uma potência, ele defendeu o multilateralismo. E aproveitou para criticar as cinco potências que compõem o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

“Os cinco membros devem se reunir para mudar o seu comportamento”, sugeriu Lula na quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, na Espanha. “Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com o Twitter de um presidente da República ameaçando o mundo. Fazendo guerra”.

O mundo, recordou Lula, “não está precisando de guerra”. A seu ver, há questões mais urgentes em busca da atenção mundial, como a existência de 760 milhões de pessoas passando fome e outros milhões ainda analfabetos, sem energia elétrica e cuidados básicos de saúde.

Sobre os minerais críticos, mais uma vez ele apostou no multilateralismo. Disse que esses insumos devem ser instrumentos de desenvolvimento econômico e social. E que o Brasil está aberto a parcerias que incluam “etapas de maior valor agregado e transferência de tecnologia”.

Com os Estados Unidos? Com a China? Possivelmente. Assim como com países como Espanha e Alemanha, que fizeram parte de seu roteiro na Europa.

Ao contrário de Flávio Bolsonaro, Lula não apresentou nenhuma escolha preferencial em sua política externa. Abriu o leque de opções. Também não pediu pressão externa sobre o Brasil.

“Eu não estou aqui para discutir a democracia no meu país”, disse o presidente na Espanha.

Mas talvez o principal sinal de Lula esteja na sua defesa da paz, do desenvolvimento e do combate aos principais problemas sociais que ainda afetam milhões de pessoas em todo o mundo.

Uma agenda ambiciosa? Pode ser. Talvez até um pouco sonhadora, no cenário atual de guerras e de disputa por hegemonia, em que uma ordem internacional já se foi e outra ainda está por nascer.

De qualquer forma, as opções para o país estão à disposição dos eleitores.

O Brasil tem a chance, nesse momento delicado, de lembrar ao mundo que a paz é importante para abrir caminho à solução de problemas reais e concretos de uma ampla parcela da população mundial. Problemas que ainda não chegaram ao topo das prioridades na agenda global.

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