Flávio é líder das pesquisas: e agora? (por Leonardo Barreto)
Se a conjuntura ajuda, Flávio Bolsonaro, no entanto, tem seus desafios internos
atualizado
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A semana passada consolidou um quadro desfavorável à reeleição do presidente Lula e positivo para Flávio Bolsonaro, que figura numericamente à frente e passou a liderar também entre os eleitores independentes.
Esse cenário já vinha sendo detectado por institutos menores, mas ganhou o carimbo de “quadro oficial” com a confirmação do cenário por parte das empresas preferidas pelos veículos tradicionais: Datafolha e Quaest.
A consolidação do drive “Lula não é mais o favorito” cria um cenário diferente para Flávio Bolsonaro. O ponto principal é que sua campanha e movimentações, que têm optado por alguma discrição, passa a ser alvo de um escrutínio público maior e mais exigente.
Além disso, como ele tem a chance real de ganhar, passa a mirar o eleitor mediano e a votante não polarizado/independente, o que traz mais limites do que oportunidades de comunicação.
Um exemplo disso foi o texto escrito hoje pelo economista Fabio Giambiagi, colunista em O Globo. Em um artigo ácido ele faz uma pergunta hipotética a Flávio Bolsonaro: cadê o seu “posto Ipiranga”?
Num misto de revolta e lamento, o texto é provê uma amostra do eleitor que votou em Lula na última eleição e, desiludido, faz agora exigências para votar no candidato da direita. Ele quer garantias mínimas de segurança política, estabilidade institucional e lucidez econômica para mudar de posição, mesmo demonstrando pouco ânimo em fazê-lo.
Flávio pode estimular esse ânimo ao centro com equipe e propostas, mais ou menos como o próprio Lula fez ao atrair Geraldo Alckmin em 2022.
Uma situação que facilitar a mirada de Flávio para o centro é a existência de outros candidatos de direita com propostas mais fortes do que as dele próprio.
Por exemplo, na quinta (16), o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, apresentou as diretrizes do seu plano de governo. Como franco-atirador, seu principal objetivo é chamar atenção de um público que ainda está distraído. Nesse sentido, as propostas tendem a ser mais “radicais”, como a fundação de um novo STF, a classificação das organizações criminosas como terroristas ou a obrigação por lei de que homens jovens recebedores de benefícios sociais tenham que trabalhar.
No mesmo caminho, Renan Santos, do partido Missão, tem feito lives em comunidades periféricas prometendo tornar inelegíveis prefeitos corruptos ou ineficientes, fundir municípios e fazer intervenções federais em várias localidades, algo que fere princípios federalistas.
Embora esses políticos também busquem disputar o campo da direita com Flávio Bolsonaro, eles se posicionam mais na franja. Isso seria um problema para um candidato que precisasse conquistar eleitores à direita e ao centro, o que não é o caso aqui porque ele já conta com o apoio dos eleitores fiéis ao seu pai.
Como disse o cientista político Alberto Carlos Almeida recentemente, Flávio Bolsonaro, já estando consolidado na “direita da direita”, pode fazer uma campanha exclusivamente voltada para o centro.
Na verdade, propostas mais fortes, como as de Renan e Zema, podem ajudar Flávio a se apresentar como moderado, na medida em que a percepção sobre posicionamentos é relativa.
Se a conjuntura ajuda, Flávio, no entanto, tem seus desafios internos. O principal deles é isolar elementos que desagradam o eleitor de centro, como seu irmão Eduardo Bolsonaro, e resolver a desconfiança quanto à sua capacidade de pensar o Brasil. Aí a importância de apresentar ideias e, principalmente, uma equipe de apoio que sugira consistência.


