Duas guerras injustas (por Pedro Costa)
Deixo para vocês colocarem as carapuças nos que merecem.
atualizado
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Já sei, já sei: não há guerra justa. Quando São Agostinho justificou a bellum iustum romano ainda não havia Organização das Nações Unidas, cujos membros assinaram que:
“Todos os membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas.”
É verdade também que o Papa Francisco, esquerdista notório, leitor de Mafalda e sabendo que é papel do “soberano pontífice” pedir inutilmente pela Paz, decretou em Fratelli Tutti que “Nunca mais guerra!” e revogou expressamente a ideia do Santo bispo de Hipona, citando São João XXIII.
Isso não se confunde com legítima defesa. Ela vale para as nações como para as pessoas: não se deixe matar!
Então, se você, Irã, leva um bombardeio do orange man porque 1) ele precisava mostrar aos contribuintes que haviam pago 1 milhão de dólares por lugar num jantar que era homem, apesar do calo impedir que fosse à guerra; ou 2) a obliterated capacidade nuclear do Irã tinha sido miraculosamente restaurada e ele estava a uma semana de fazer uma bomba atômica (apesar de que não tinha um míssil intercontinental); ou 3) como o Irã ia atacar os EUA em resposta ao ataque que o Netanyahu tinha soprado ao Rubinho que ia fazer; ou 4) o Irã estava negociando de boa fé, coisa insuportável pela má fé americana; ou 5) ele queria matar 180 meninas, por vontade; ou 6) ele queria matar o Khamenei, porque sim; ou 7) o nome Reza Pahlevi dá inveja a ele pelo tanto de cidadãos de seu país que o Xá torturou e matou e esfolou; ou 8) a Rainha Melania precisava presidir uma sessão importante do Conselho de Segurança; ou 9) ele precisava de uma oportunidade de beijar as cortinas de ouro muito econômicas; ou 10) a Fox News disse que estava na hora; ou 11) precisava desviar a atenção do caso do outro pedófilo; ou 12) o bin Salman pagou; ou… completa aí com qualquer besteira — você, Irã, tem que lutar para sobreviver. Justamente. Numa guerra injusta.
O FBI despediu na véspera os especialistas em Irã e o DHS na antevéspera o especialista em cybersecurity — não que ele entendesse nada do assunto, apenas era cupincha da mulher-que-dá-tiro-na-cara-de-cachorrinho-porque-late. E o bêbado que dirige as bombas americanos disse “no stupid rules of engagement”, vão lutar com macheza. E quem sabe eles “nuke it” para compensar o desastre econômico que está começando com a perda de empregos.
Há também o caso das instituições e do Estado de Direito — é preciso acabar com estas estúpidas regras de ação, as tais quatro linhas. Assim, a Folha e a(o) Globo se aliaram com a extrema direita para restaurar o golpe. O caminho é: 1) acabar com 1a) o Moraes porque ele já estava programado para morrer; 1b) o Gilmar porque é ele mesmo e aliado do Moraes e do Dino; 1c) o Dino porque ele quer mexer no tutu deles e de novo no tutu deles; 1d) o Toffoli porque ele está com o processo do Moro; 1e) a Carmem Lúcia porque é mulher; 1f) o Zanin porque é do Lula; 2) ganhar as eleições com fakenews — de novo o Moraes — e pautas avançadas, como poder matar quem quiser, sobretudo se for da minoridade penal e preto, poder receber dinheiro do PCC, do CV e do INSS, tudo seguindo as instruções emanadas do escritório do crime na Papuda; 3) acabar com a reeleição, a do Lula porque é demais, e depois porque não haverá mesmo eleição, quanto mais reeleição; 4) dar isenção tributária e penal para os farialimers, afinal os que dizem que pagam; 5) dispensar o pagamento dos empréstimos do Plano Safra, afinal o dinheiro é do povo, portanto também dos ruralistas que salvam a lavoura do Brasil; 6) nomear o Bananinha para czar da fronteira Brasil/EUA, já que ele é fluente em inglês e geografia; 7) convencer o Ciro Nogueira e o Kassab que não precisam pular para o outro lado, que as pesquisas mostram que o 01 já ganhou, aliás não se sabe porque fazer eleição, melhor perguntar à Paraná Pesquisas; 8) mudar a língua de Santa Catarina de alemão para inglês; 9) completa aí que já estou sem fôlego, aqui com o nariz tampado por causa do mau cheiro…
Então, começam com a guerra injusta contra a Justiça. — Ei, Supremo!: não se deixe matar! — Depois continuam a Injustiça contra os vagabundos que pensam em igualdade social, inclusive falando em Constituição, que dizem ter mais de quatro linhas, e nada dessas estúpidas regras democráticas, o tal Estado de Direito.
Já lembrei que divulgar informações sigilosas é crime com penas que podem ser de mais de quatro anos, portanto de prisão firme. A proteção do sigilo das fontes permite ao jornalista não revelar quem lhe deu a informação, não elimina o crime de violação de sigilo. Tem muita gente, na imprensa, na polícia, nos tribunais e no congresso louco por uma cana.
Como já citei o Eloge of Folly, do Erasmo, e a March of Folly, da Barbara Tuchman — nesse caso antes do Reinaldo Azevedo — quero dar alguns dos significados da palavra elogiada ou em marcha. Meu dicionário de etimologia diz que vem do francês folie — sabe folia? —, que vem do latim follis — pança; e que quer dizer idiotice, ação irrefletida que resulta em trágicas consequências, ou um edifício extravagante construído por razões puramente ornamentais — sabe o ballroom? E traduzo, porcamente, alguns dos sinônimos do Oxford Thesaurus of American English: imprudência, insensatez, estupidez, idiotice, imbecilidade, tolice, bobagem, lunaticismo, loucura, maluquice, grossura, inquietação, falta de juízo, falta de cautela, falta de senso, irracionalidade, falta de lógica, irresponsabilidade, teimosia, indiscrição.
Deixo para vocês colocarem as carapuças nos que merecem.
Pedro Costa, arquiteto e escritor.


