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Na semana passada, o governador Ronaldo Caiado anunciou Roberto Brandt como seu coordenador de programa de governo.
Suas principais credenciais são a de ex-deputado federal por cinco mandatos, ministro da Previdência Social no segundo governo Fernando Henrique Cardoso, um dos fundadores do PSD junto com Gilberto Kassab e portador de uma trajetória política em Minas Gerais.
Ao trazer uma figura tradicional, Ronaldo Caiado vai se dirigindo para o centro, propondo uma perspectiva mais tradicional, conhecida e previsível para sua campanha.
Reforça essa perspectiva (i) sua declaração de total apoio ao PL da Misoginia, que criou barulho na direita, (ii) a ausência de críticas contundentes ao STF, (iii) a aproximação com Eduardo Leite, de perfil mais de centro esquerda, e (iv) a especulação de ter Gilberto Kassab como seu vice.
A escolha do caminho do centro e da moderação provavelmente é resultado de uma análise de cenário. Com Romeu Zema indo para a direita a ponto de competir com Flávio Bolsonaro pelo título de candidato mais bolsonarista – há uma ironia aqui (mas não muita) -, Caiado está enxergando seu “oceano azul” entre os eleitores moderados.
Trata-se de uma diferença importante, considerando as expectativas criadas logo após o anúncio da sua candidatura. Tendo foco na segurança pública e forte vinculação com o agro, seria natural vê-lo caminhando para a direita.
Mas isso não é o que está acontecendo e a opção pela moderação sugere uma forte ascendência de Gilberto Kassab que, deve-se lembrar, vem desafiando o PL desde as eleições municipais de 2024. O principal palco foi Belo Horizonte, onde o então prefeito, Fuad Noman, já falecido, derrotou Bruno Engler.
A falta de barulho por parte da campanha do PSD mostra que Kassab quer fincar uma bandeira no centro, mesmo que o potencial eleitoral não apareça agora.
Para ele, a candidatura vale para não ter que se posicionar em relação à polarização no primeiro turno, ter cartas na manga para jogar no segundo turno e, principalmente, ensaiar seu movimento para 2030, a eleição que, ele entende, abrirá um caminho para a centro-direita.
Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília


