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Bibi por um fio

Netanyahu enfrenta articulação de 67 deputados em torno de Gadi Eisenkot para formar um novo governo e encerrar sua permanência no poder

06/11/2026 13:10
Amir Levy/Getty Images
O ex-primeiro-ministro israelense e líder do partido Likud, Benjamin Netanyahu, fala em um evento na noite da eleição em Jerusalém, Israel. As pesquisas de boca de urna mostraram Netanyahu com uma estreita vantagem no final do dia da eleição, a quinta do país em quatro anos que nomeará um novo Kesset, o parlamento de 120 assentos - Metrópoles

Benjamin Netanyahu está próximo de perder o cargo de primeiro-ministro de Israel. O resultado das eleições parlamentares de 27 de outubro impôs uma derrota ao bloco governista, que caiu de 68 para 53 das 120 cadeiras da Knesset, o Parlamento israelense. São oito assentos a menos que os 61 necessários para formar maioria.

A oposição, liderada pelo ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel Gadi Eisenkot, conseguiu transformar o resultado eleitoral em uma demonstração de força política. Nas consultas realizadas pelo presidente Isaac Herzog, 67 parlamentares recomendaram o líder do partido Yashar para receber o mandato de formação do próximo governo. Netanyahu obteve o apoio de 46 deputados. Outros sete não recomendaram nenhum dos dois.

O resultado foi possível graças à adesão dos partidos árabes Joint List e Ra’am, que juntos conquistaram 19 cadeiras, a maior representação parlamentar de sua história. O apoio foi decisivo para superar a marca de 61 recomendações, mas não significa que exista um acordo fechado para integrar essas legendas ao futuro governo.

Herzog anunciou que escolherá o responsável pela formação do gabinete no domingo (8). O presidente, entretanto, advertiu que os vetos recíprocos entre os partidos e dentro dos próprios blocos tornam incerta a construção de uma maioria estável.

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Eisenkot apresentou quatro compromissos para o novo governo: preservar o caráter democrático e liberal de Israel; estabelecer serviço militar, nacional ou civil obrigatório para todos, incluindo os ultraortodoxos; criar uma comissão estatal independente para investigar as falhas que permitiram os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023; e reverter a reforma judicial promovida por Netanyahu.

A articulação reúne forças de centro, direita e esquerda, incluindo os ex-primeiro-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, o ministro das finanças entre 2021 e 2022 Avigdor Lieberman e Yair Golan, líder do partido Os Democratas. O desafio será transformar a frente anti-Netanyahu em uma coalizão capaz de governar.

Caso receba o mandato, Eisenkot terá inicialmente 28 dias para negociar a formação do gabinete, com possibilidade de extensão por mais 14. Se fracassar, Israel poderá enfrentar novo impasse político e até antecipar outra eleição.

Netanyahu ainda tenta preservar sua influência, mas a perda de cadeiras, o isolamento nas consultas presidenciais e a articulação inédita de seus adversários colocam sua continuidade no poder em risco.