
Bibi por um fio
Netanyahu enfrenta articulação de 67 deputados em torno de Gadi Eisenkot para formar um novo governo e encerrar sua permanência no poder

Benjamin Netanyahu está próximo de perder o cargo de primeiro-ministro de Israel. O resultado das eleições parlamentares de 27 de outubro impôs uma derrota ao bloco governista, que caiu de 68 para 53 das 120 cadeiras da Knesset, o Parlamento israelense. São oito assentos a menos que os 61 necessários para formar maioria.
A oposição, liderada pelo ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel Gadi Eisenkot, conseguiu transformar o resultado eleitoral em uma demonstração de força política. Nas consultas realizadas pelo presidente Isaac Herzog, 67 parlamentares recomendaram o líder do partido Yashar para receber o mandato de formação do próximo governo. Netanyahu obteve o apoio de 46 deputados. Outros sete não recomendaram nenhum dos dois.
O resultado foi possível graças à adesão dos partidos árabes Joint List e Ra’am, que juntos conquistaram 19 cadeiras, a maior representação parlamentar de sua história. O apoio foi decisivo para superar a marca de 61 recomendações, mas não significa que exista um acordo fechado para integrar essas legendas ao futuro governo.
Herzog anunciou que escolherá o responsável pela formação do gabinete no domingo (8). O presidente, entretanto, advertiu que os vetos recíprocos entre os partidos e dentro dos próprios blocos tornam incerta a construção de uma maioria estável.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEisenkot apresentou quatro compromissos para o novo governo: preservar o caráter democrático e liberal de Israel; estabelecer serviço militar, nacional ou civil obrigatório para todos, incluindo os ultraortodoxos; criar uma comissão estatal independente para investigar as falhas que permitiram os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023; e reverter a reforma judicial promovida por Netanyahu.
A articulação reúne forças de centro, direita e esquerda, incluindo os ex-primeiro-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, o ministro das finanças entre 2021 e 2022 Avigdor Lieberman e Yair Golan, líder do partido Os Democratas. O desafio será transformar a frente anti-Netanyahu em uma coalizão capaz de governar.
Caso receba o mandato, Eisenkot terá inicialmente 28 dias para negociar a formação do gabinete, com possibilidade de extensão por mais 14. Se fracassar, Israel poderá enfrentar novo impasse político e até antecipar outra eleição.
Netanyahu ainda tenta preservar sua influência, mas a perda de cadeiras, o isolamento nas consultas presidenciais e a articulação inédita de seus adversários colocam sua continuidade no poder em risco.

