
Brasil, Sérvia Israel e EUA: o futuro das Autocracias (por Ricardo Guedes)
Simon Commander define as Autocracias Modernas como um sistema onde um grupo político ascende ao poder para garantir negócios e privilégios

No Brasil, Flávio Bolsonaro perde para Lula. Na Sérvia, o partido “Student List”, inusitadamente formado por estudantes e professores, ganha as eleições, destronando 14 anos de poder. Em Israel, Netanyahu não consegue formar a maioria no Parlamento, dependendo de composição com os Partidos Árabes. Nos Estados Unidos, Trump, com somente 31% de aprovação de seu governo na pesquisa IPSOS/Reuters, o menor percentual de todas as épocas da história dos Estados Unidos após dois anos de governo, perde as Midterms Elections, em fragorosa derrota.
Este será o futuro das Autocracias?
A lógica da formação das Autocracias Modernas é simples. Até 1980, todas as classes prosperaram. A partir de 1980, dispara a renda dos mais ricos, mantém-se a renda da classe baixa, diminuindo a renda da classe média. Hoje, 3.300 famílias detêm em patrimônio o equivalente a cerca de 13% do PIB mundial.
A classe média, aversa a políticas sociais e desgostosa com o sistema eleitoral representativo, que não redistribuiu renda, dá suporte a líderes de extrema direita, na expectativa de resolverem os seus problemas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEntretanto, as Autocracias Modernas privilegiam somente a um grupo determinado em sua volta, nem mesmo à classe produtiva em geral, sem, portanto, solucionar os problemas da classe que os elegeu. Assim, Viktor Orbán foi destronado na Hungria, depois de 16 anos no poder.
Então, voltando à questão, seria esse o futuro das Autocracias Modernas?
O problema é que, uma vez destituídos, quem os substitui teria que suprir as necessidades econômicas e de reposição da renda da população, impossível devido à lógica atual de concentração da renda nas sociedades. Em não se resolvendo, tudo tende a voltar atrás.
Adicione-se o problema ecológico, que do ponto de vista empresarial significa a diminuição dos recursos naturais, como input para a concentração de poder e da renda, sem a solução do problema social.
Se não for resolvido o problema da renda, o extremismo da direita radical deverá voltar, tendendo para práticas autoritárias e ditatoriais, mais definitivas, a longo prazo.
“Óh Deus! Este é o nosso destino?”
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago

