Aonde foi o “We the People” (por Ricardo Guedes)

Trump quebra o paradigma de uma nação.

atualizado

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Donald Trump
1 de 1 Donald Trump - Foto: Win McNamee/Getty Images

“We the People of the United States, a fim de formar uma União mais perfeita, estabelecer a Justiça, assegurar a tranquilidade interna, prover a defesa comum, promover o bem-estar geral e garantir as bênçãos da Liberdade para nós e para a nossa Posteridade, ordenamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América”.

Assim começa a Constituição dos Estados Unidos, de 1789, após a Revolução Americana de 1775 a 1783, ratificada após a Guerra Civil Americana e pelo New Deal, na expressão de grandes líderes como George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln, Theodore Roosevelt, Dwight Eisenhower, John Kennedy, e outros tantos, na guarda da liberdade e do mercado.

São 238 anos de Democracia.

Os fundamentos? O da liberdade e do livre comércio.

Trump quebra o paradigma de uma nação.

Os Estados Unidos saíram da Segunda Guerra Mundial como a maior potência do mundo, hoje declinante. De 1960 aos dias de hoje, o PIB dos Estados Unidos caiu de 40% para 26% do PIB mundial, Europa de 21% para 18%, China de 4% para 17%. Os Estados Unidos perdem em eficiência econômica e valor de troca no mercado internacional. Adicionalmente, a classe média americana tem sido continuamente comprimida em seu poder de compra desde 1980, com o aumento contínuo da concentração de renda pelas classes altas. Forma-se o quadro político para o surgimento de líderes hoje chamados de “populistas”, versão moderna dos líderes “fascistas” das décadas de 1930 e 1940 surgidos na Alemanha e Itália, em condições econômicas equivalentes às que hoje ocorrem nos Estados Unidos, e no mundo ocidental.

Trump rasga a Constituição. Na economia, impõe tarifas alfandegárias em anteposição ao livre comércio, na expectativa de que os empresários americanos supram as importações com nova produção, em receita já falida em todos os países onde essas medidas foram adotadas. Na política interna, persegue e deporta imigrantes legais e ilegais, atemoriza o cidadão americano nas ruas e nos aeroportos através do ICE, bypassa a Constituição e as Leis fazendo guerras sem a autorização do Congresso. Na política externa, promove “guerras sem lei”, no extremo da baixa de ética em contraposição aos códigos de guerra anteriormente adotados, mesmo que precários.

Alguns citam haver um certo nível de insanidade nas ações de Trump. Mas a questão é: porque isso é possível, ou ocorre?

A aprovação de Trump nos Estados Unidos cai para 37%. Cai o apoio à Israel para 36%. O eleitor americano se expressa nas pesquisas. E a alta de preços atinge os Estados Unidos, com a inflação, já há alguns anos, acima do aumento da renda. Empobrece a população americana, comparando a tempos atrás.

Mas o curso atual da política americana indica a possibilidade, significativa, da tentativa de quebra da ordem institucional por Trump ao final de seu governo. Em curso.

Então, persiste a pergunta: aonde foi o “We the People of the United States”?

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”

 

 

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