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A diplomacia brasileira e Pearl Harbor (por Roberto Caminha Filho)

Eu só acredito na sensibilidade do nosso Presidente Lula e seu histórico de grande negociador

11/08/2025 12:00
Lara Abreu / Arte Metrópoles
Imagem colorida de Lula e Trump - Metrópoles

Alea jacta est! A sorte está lançada! Palavras de Júlio Cesar ao cruzar o rio Rubicão, com suas forças e saber que não teria volta sem a vitória.

O correto Senador Jeferson Peres, nosso professor de economia, contava duas necessidades do mercado:

A primeira era a alegria do Mercado Público, não aquele que o curso se dedica, mas aquele em que compramos nossos peixes e bananas. Se fores ao mercado da tua cidade e ele estiver em silêncio, leva o teu dinheiro para ouro lugar pois, aquele, não dá frutos comestíveis. O Mercadão tem que viver barulhento, um gritando para o outro e ali, vê-se uma economia que cresce  e a alegria torna-se cada vez maior. Este mercado cheio de gritos e correrias, merece o teu investimento.

A segunda, dizia a baixinho, era a tranquilidade dada pelos agentes, todos querendo a velocidade e a segurança naquela alegria, e ia mais além: O dinheiro só entra por uma porta, quando há duas janelas para ele voar.

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Antes do ataque a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, o Japão estava oficialmente em negociações diplomáticas com os Estados Unidos. O governo japonês buscava aliviar as tensões causadas pelas “sanções econômicas” impostas pelos americanos, que bloqueavam o fornecimento de petróleo e aço — vitais para a máquina militar japonesa. Enquanto diplomatas em Washington trocavam notas com o secretário de Estado Cordell Hull, a frota japonesa, liderada pelo almirante Isoroku Yamamoto, já navegava, a mil, em direção ao Havaí para fazer a maior craca da sua existência. O plano era atacar de surpresa para neutralizar a frota americana do Pacífico antes que pudesse reagir às ambições japonesas na Ásia. O espertíssimo Churchill acompanhava de perto essas negociações.

No dia 7 de dezembro de 1941, pouco antes das 8h da manhã, aviões japoneses iniciaram o bombardeio em Pearl Harbor. A missão diplomática japonesa só entregou a mensagem oficial rompendo as negociações após o início do ataque, o que os americanos consideraram uma traição. O episódio foi visto como prova de má-fé e gerou enorme indignação pública nos EUA. No dia seguinte, o presidente Franklin D. Roosevelt fez seu famoso discurso sobre “o dia que viverá na infâmia”, pedindo ao Congresso americano, a declaração de guerra contra o Japão. Esse ataque precipitou a entrada formal dos EUA na Segunda Guerra Mundial, mudando o rumo do conflito.

Winston Churchill, ao receber a notícia sobre o ataque japonês a Pearl Harbor, acendeu um charuto e tomou o seu primeiro porre do dia. Ao ser indagado sobre tamanha felicidade com a notícia tão ruim, o Herói inglês disse com a sua melhor gargalhada:

-Acabamos de vencer a guerra! Os japoneses acabaram de nos dar a vitória. Ninguém briga com quem carrega tamanha fortuna nos bolsos.

O nosso Brasil, conhecido mundialmente pelo gosto das coisas boas e alegres, aceitou negociar, com os Estados Unidos as tarifas e, assim, tirar os dois governos de uma guerra, em que todos seríamos atingidos, mandando seus diplomatas e políticos para Washington, deixando os dois lados, imensamente satisfeitos. Passo seguinte: o nosso Supremo prende o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o pivô da crise, amigo do Presidente Trump.

Pronto! As negociações que deveriam ser feitas por profissionais da diplomacia, encheram-nas de políticos e deu no que deu. Ninguém ouve falar ou consegue ler duas linhas sobre as negociações das tarifas. Parece que os “Louros” fecharam as portas com medo que atacássemos Pearl Harbor e afundássemos o Nimitz.

As cadeias produtivas e os clusters existentes nos dois países estão sentindo que o cheiro ruim de fezes está pegando vento.

Agora vamos! Reuters, Terra, Ibre, Comissão de Comércio Internacional, Wall Street Journal, The Budget Lab at Yale, San Francisco Chronicle, Penn Wharton Budget Model, Al Jazee e outros meios já se preocupam com os desarranjos nas cadeias produtivas e o imenso mal que essa intriga poderá causar aos mercados mundiais. Em torno de 800 milhões de pessoas que são vetores de grandes movimentos econômicos estarão sendo afetadas pela falta de sensibilidade dos seus políticos e agentes econômicos. Esse instante repercutirá por muitos anos nos mercados americanos do norte e do sul, atingindo também grandes mercados orientais.

Estamos falando de móveis, calçados, carnes, soja, milho, madeira, celulose, tinta, cola, ferragens, automóveis, eletrônicos, semi-condutores, as cadeias transversais – financeiro, seguros, transporte marítimo – sofrerão queda de receita por redução do comércio bilateral. Será um desassossego! Uma tragédia parida da insensibilidade.

Chegou a hora dos líderes assumirem seus lugares nas negociações, afastarem os amadores e escolherem seus melhores diplomatas para mitigar o que ainda pode ser mitigado.

Eu só acredito na sensibilidade do nosso Presidente Lula e seu histórico de grande negociador. O Presidente Trump já deve estar sabendo do mal que pode fazer às duas nações que nunca estiveram em campos opostos.

Vamos torcer e orar, até com a ajuda dos amigos do Filho: o Malafaia e o Valdomiro.

Alea jacta est! A sorte está lançada! Palavras de Júlio Cesar ao cruzar o rio Rubicão, com suas forças e saber que não teria volta sem a vitória.

Roberto Caminha Filho, economista, sente São Paulo desmaiando, o Brás sem forças e os shoppings mais devagar. É crise chegando e o cinturão criando um novo furo.