
Lula com um olho na ONU e outro na eleição
Presidente discursará amanhã em Nova York a menos de quinze dias do primeiro turno

O presidente Lula desembarcou ontem (20) em Nova York, onde abrirá os discursos de chefes de Estado na Assembleia-Geral da ONU, na próxima terça-feira. Nesta curta viagem, o petista poderá conversar com o presidente americano Donald Trump e tratará da sucessão de António Guterres. secretário-geral da entidade. Mas sem deixar a campanha eleitoral de lado, faltando menos de 15 dias para o primeiro turno.
Como ocorre tradicionalmente, o discurso de Lula será seguido pelo do presidente americano. A ordem dos pronunciamentos pode proporcionar um novo encontro informal, como ocorreu no ano passado, em que Trump falou da “química” entre os dois.
A relação entre Brasília e Washington, porém, chega novamente tensionada. Diante da proximidade das eleições, o governo Lula tem enfatizado a defesa da soberania nacional e demonstrado preocupação com eventuais manifestações ou interferências dos Estados Unidos. Na ONU, a expectativa é que o presidente defenda o multilateralismo e a autonomia das decisões políticas, judiciais e eleitorais brasileiras, evitando, contudo, um confronto direto com Trump.
A viagem também ocorre após a desistência da ex-presidente chilena Michelle Bachelet da disputa pela Secretaria-Geral. Apoiada por Brasil e México, ela abandonou a candidatura após receber apenas um voto favorável em uma consulta informal do Conselho de Segurança. Além disso, ela perdeu apoio no próprio país com a eleição de Antonio Kast, de direita. O Brasil defende que o próximo secretário-geral seja uma mulher latino-americana
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo front doméstico, nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira aponta Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno. No segundo turno, os candidatos seguem empatados tecnicamente, com 46% e 45%, respectivamente, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Antes de embarcar, Lula também tratou com ministros do STF da possibilidade de uma reunião com a Corte após seu retorno. Na campanha, o governo pretende deslocar o foco da crise na Corte para temas como o reajuste do Bolsa Família, o combate às bets, a oferta de medicamentos para emagrecimento pelo SUS e os resultados econômicos.

