1984 = 2025? (por Eduardo Fernandez Silva)

Cada dia mais vivemos numa sociedade de vigilância, como no livro de George Orwell

atualizado

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Divulgação/Prefeitura de SP/Ciete Silvério
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1 de 1 cameras monitoramento sp smart sampa 6 - Foto: Divulgação/Prefeitura de SP/Ciete Silvério

Publicado em 1949, o conhecido livro “1984”, do George Orwell, narra um futuro no qual o “Grande Irmão”, o Estado, tudo controla, por meio de ampla vigilância e do Ministério da Verdade, que reescreve a história. Até que ponto Orwell previu o mundo de hoje?

Embora muitos procurem negar, é fato que cada dia mais vivemos numa sociedade de vigilância. O fato de ocorrerem eleições periódicas em muitos países não é suficiente para descartar nem a vigilância nem a manipulação dos fatos.

Com o mundo atual dividido – artificial, equivocada e perigosamente – entre “nós e eles”, a vigilância e a manipulação, diz-se, são feitas por eles, nunca por nós! Será?

Lembremo-nos do Edward Snowden, ex-membro da Agência de Segurança Nacional dos EUA, que revelou como aquela instituição, e outras, vigiavam, sem amparo legal, milhões de pessoas mundo afora. A própria Dilma Roussef foi espionada. Entre outras, Snowden revelou que a ASN tinha capacidade de ligar remotamente câmeras de computadores e celulares, passando a gravar a intimidade dos alvos.

Mais recentemente, milhares de pessoas foram assassinadas pelo governo de Israel, que fez explodir os “pagers” usados por aqueles definidos como inimigos.

No “Ocidente”, diz-se que é a China que faz vigilância, por meio das câmeras com reconhecimento facial instaladas por todo o país. Indagada, a ChatGPT afirma, com ressalvas pela inexistência de dados oficiais e a dificuldade de se obter informações seguras, serem entre 600 e 700 milhões de câmeras, sendo incerto quantas possuem capacidade de reconhecer faces. As mesmas dificuldades aplicam-se para calcular aquelas instaladas noutros locais (sempre em milhões): EUA (60 a 85), Inglaterra e Japão (5 em cada), Rússia (200 mil só em Moscou), Alemanha (1,5 milhão) e, no Brasil, avalia que cerca de 47 a 80 milhões de pessoas são potencialmente cobertos pelos projetos existentes.

Mas a vigilância não depende das câmeras: a internet e os celulares tornaram-se também instrumentos de espia e controle. Os dados guardados nos datacenters – eufemisticamente chamados de “nuvem” – sob controle de corporações cada vez mais associadas ao plutocrata Trump – são, também, meios de saber o que pensamos, fazemos, com quem conversamos e muito mais! Não fosse assim e o Departamento de Estado não analisaria as redes sociais dos pretendentes a visto de entrada nos EUA.

Os mesmos EUA que estão em campanha acelerada para mudar a história. A começar pela nada inocente alteração do nome do Golfo do México, são muitas as iniciativas de Trump: demitiu diretores de instituições culturais, abriu guerra contra universidades e determinou uma “revisão” das exposições dos museus Smithsonian, para que o relato histórico se adapte a sua visão! Publicou, ainda, Ordem Executiva para “Restaurar a Verdade e a Razão na História Americana”.

O ano de 2025 tornou-se o temido 1984? Em grande parte, sim; de outra maneira como entender que dirigentes globais nada de eficaz façam contra a pobreza, contra as mudanças climáticas, acirrem os espíritos contra imigrantes e ainda ampliem gastos militares? Big Brother no comando?

 

Eduardo Fernandez Silva. Ex-Diretor da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados

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