Tédio no trabalho? Conheça a síndrome de boreout
Conhecida como “tédio no trabalho”, a condição ligada à falta de propósito e estímulo profissional afeta a saúde mental
atualizado
Compartilhar notícia

Em um momento em que o burnout virou tema constante nas redes sociais e no ambiente corporativo, outro fenômeno ligado ao trabalho começa a ganhar atenção: o boreout, síndrome associada ao tédio extremo, à falta de propósito e à ausência de desafios profissionais.
Diferente do esgotamento causado pelo excesso de tarefas, o boreout surge justamente da sensação de inutilidade, desinteresse e apatia dentro da rotina de trabalho.

Embora ainda seja pouco conhecido, o problema pode afetar seriamente a saúde mental, causando sintomas como ansiedade, desmotivação, baixa autoestima e até depressão.
Vladimir Melo, psicólogo e doutor em Psicologia explica que o boreout é um transtorno que descreve o sentimento profundo de tédio e subutilização no ambiente de trabalho. “A pessoa se sente desmotivada, estagnada e sem desafios para executar as suas atividades laborais.”
“A procrastinação e a fuga são evidências de uma dificuldade de encarar a rotina. A exemplo do burnout, há sintomas de fadiga e desânimo, mas por motivos diferentes”, detalha.

O profissional também destaca que a sensação de que não está sendo valorizado ou crescendo na carreira é um impacto grande para uma situação que pode acompanhar a pessoa por um longo período. “A necessidade de fuga pode levar a uma demissão por baixa produtividade. Além disso, o funcionário pode desenvolver um quadro depressivo e/ou de abuso e vício de substâncias.”
Vladimir ainda explica que, de modo geral, todas essas possibilidades causam prejuízo à autoestima pelo estigma de preguiça e inutilidade da doença.
O tema tem ganhado força especialmente entre jovens profissionais e trabalhadores em home office, que relatam uma desconexão crescente com suas funções e dificuldade de encontrar sentido na rotina corporativa. Em fóruns on-line e redes sociais, relatos sobre falta de estímulo, tarefas repetitivas e sensação de estagnação se multiplicam, impulsionando discussões sobre saúde mental e propósito no trabalho.

Segundo o psicólogo, para lidar com isso, as empresas podem mapear melhor as necessidades dos funcionários e traçar estratégias de recolocação e reaproveitamento. Muitas vezes, adequar o funcionário tem um efeito grande na sua relação com a empresa.
“Demonstra interesse e flexibilidade das lideranças e uma confiança no potencial da pessoa que faz parte da empresa. Essa iniciativa de mudança também deve partir do funcionário, que precisa conhecer as possibilidades reais de recolocação e crescimento na empresa”, emenda o especialista.