Saúde dos rins: controle de sal e açúcar no sangue impacta o órgão
Nefrologista alerta que danos ao órgão são irreversíveis e projeta aumento de quase 80% nos casos de câncer renal até 2050
atualizado
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Os rins operam como os filtros vitais do corpo humano, mas possuem uma característica implacável: não se regeneram. Uma vez que os néfrons — suas unidades funcionais — são destruídos, o dano é permanente. Diante de um cenário onde mais de 170 mil brasileiros dependem de diálise, especialistas reforçam que a prevenção, baseada no controle rígido da pressão arterial e do diabetes, é a única barreira eficaz contra a falência renal e o avanço silencioso de tumores.
Entenda
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Dano irreversível: diferente de outros órgãos, o rim não recupera células mortas; a prevenção é a única estratégia.
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Vilões silenciosos: o excesso de sal lesa vasos delicados, enquanto o açúcar compromete a filtragem sanguínea.
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Automedicação: o uso indiscriminado de anti-inflamatórios comuns é causa principal de lesão renal aguda evitável.
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Alerta de câncer: a incidência deve saltar quase 80% no Brasil até 2050, impulsionada pelo envelhecimento populacional.
O crescimento da Doença Renal Crônica (DRC) no Brasil é alarmante. Dados da Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) indicam que o número de pacientes em diálise saltou de 156 mil para mais de 170 mil em apenas um ano. Segundo o nefrologista Pedro Aparecido Dotto Júnior, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o segredo da saúde renal reside no equilíbrio metabólico.
“O controle do sódio e do açúcar é vital. O excesso de sal eleva a pressão arterial, que castiga os vasos sanguíneos renais por serem muito delicados. Já o açúcar elevado compromete a capacidade de filtragem do órgão”, explica o médico.
O nefrologista destaca ainda que a hidratação deve ser personalizada: a cor da urina (idealmente amarelo claro ou palha) é um termômetro mais preciso do que a regra fixa de dois litros de água por dia.
O perigo do câncer nos rins e o diagnóstico precoce
A projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2050 é preocupante: os casos de câncer nos rins devem subir 79,5% no Brasil. O grande desafio é que a doença raramente apresenta sintomas em estágios iniciais, sendo frequentemente descoberta em exames de rotina para outras finalidades.
Dotto Júnior ressalta que sinais como sangue na urina (mesmo um episódio isolado), dor lombar persistente que não melhora com repouso e a percepção de massas ou caroços no abdômen são alertas críticos. Sintomas sistêmicos, como fadiga extrema, perda de peso sem motivo e febre baixa constante, também não devem ser ignorados.
Para garantir a longevidade dos rins, o especialista recomenda um protocolo simples de monitoramento. “O exame de creatinina no sangue, que mede a taxa de filtração, e um exame de urina comum são suficientes para detectar a maioria das anomalias antes que se tornem críticas”, conclui. Manter o peso, não fumar e praticar atividades físicas completam o “pacote de sobrevivência” desses filtros essenciais.


























