Saúde capilar: por que a queda de fios pode começar no intestino
Desequilíbrios na microbiota e inflamações intestinais impedem a absorção de nutrientes e podem interromper o ciclo dos fios
atualizado
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A busca por cabelos saudáveis costuma focar em shampoos e loções, mas a ciência aponta que o segredo pode estar longe do couro cabeludo. Estudos e especialistas alertam que a saúde do trato gastrointestinal é determinante para a manutenção dos fios. Quando o intestino não funciona bem, o corpo entra em um estado de alerta que prioriza funções vitais, deixando o crescimento capilar em segundo plano.
Entenda
- Barreira de nutrientes: o intestino é o portal de entrada para minerais e vitaminas. Se ele estiver inflamado, os “tijolos” que constroem o cabelo não chegam ao destino.
- Inflamação sistêmica: a disbiose (desequilíbrio bacteriano) gera uma resposta inflamatória que pode encurtar a fase de crescimento do fio (fase anágena).
- Suplementação ineficaz: tomar cápsulas de vitaminas em um intestino doente é, muitas vezes, desperdício de recurso, pois o organismo não consegue processar os ativos.
- Sinais de alerta: sintomas como gases, distensão abdominal e fadiga crônica associados à queda indicam que o problema é sistêmico, não apenas local.

O papel da microbiota no folículo
De acordo com Alexandra Lopes, especialista em Medicina Capilar da Onne Clinic (RJ), o intestino atua como um regulador biológico. “O órgão participa diretamente da absorção de nutrientes essenciais para o folículo piloso e da regulação inflamatória do organismo”, explica. Segundo a especialista, o desequilíbrio dessa microbiota pode provocar o afinamento progressivo dos fios e uma queda muito mais intensa do que o normal.
Um dos maiores erros no tratamento da calvície ou do eflúvio telógeno é focar apenas no estímulo local. Alexandra ressalta que a saúde intestinal dita o sucesso de qualquer terapia oral. “Para que a suplementação funcione, o intestino precisa estar saudável. Em situações de inflamação, mesmo suplementos bem indicados podem não atingir níveis adequados no organismo”, afirma.

Quando investigar além do couro cabeludo
A identificação do problema exige atenção aos sinais do corpo. Segundo Alexandra, o paciente deve observar se a perda de cabelo vem acompanhada de irregularidade intestinal ou dificuldade em corrigir deficiências nutricionais, mesmo com dieta regrada.
A investigação sistêmica torna-se obrigatória quando o tratamento convencional não apresenta resultados. “Avaliar o organismo como um todo é fundamental para identificar a causa real e direcionar um tratamento que seja, de fato, eficaz e duradouro”, conclui a especialista.
