Gastro explica como o eixo intestino-cérebro afeta a saúde dos órgãos

Alterações no eixo intestino-cérebro pode provocar sintomas digestivos como dor abdominal, diarreia, ou até impactar o bem-estar mental

atualizado

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Ilustração com cores vibrantes que especifícam a relação entre o intestino e o cérebro - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração com cores vibrantes que especifícam a relação entre o intestino e o cérebro - Metrópoles. - Foto: JDawnInk/Getty Images

É consenso que o funcionamento do nosso corpo depende de como está a saúde interna do organismo e a combinação dos “atores” entre si. Um ótimo exemplo disso é o eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação bidirecional entre ambos os órgãos, em que os dois se influenciam mutuamente. Em outras palavras, se o intestino estiver bem, o cérebro vai estar bem e vice-versa.

“Nosso intestino possui uma rede muito grande de neurônios, chamada ‘segundo cérebro’, que recebem comandos do sistema nervoso central, mas também levam informações do intestino para as demais regiões. Participam dessa comunicação os neurotransmissores, hormônios e o sistema de defesa”, explica a gastroenterologista Juliana Prelle Vieira Costa, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

A especialista aponta que a relação de ambos é estreita e alterações emocionais podem provocar sintomas digestivos, como dor abdominal ou diarreia, e ocorrências intestinais também podem influenciar o bem-estar mental.

De acordo com o neurocientista Leandro Freitas Oliveira, a comunicação entre os dois ocorre especialmente por vias biológicas diferentes: pelo sistema nervoso, em especial pelo nervo vago, responsável por conectar o cérebro a outros órgãos vitais, e por substâncias produzidas pelas bactérias que também estão presentes no nosso intestino.

Através da produção de neurotransmissores, regulação imunológica e da atividade da microbiota intestinal, a relação entre intestino e cérebro afeta diretamente nosso estado emocional, influenciando o humor, cognição, imunidade e o metabolismo.

“Embora seja popularmente vista como um neurotransmissor do cérebro, grande parte da serotonina do corpo é produzida no intestino. Metabólitos produzidos pelas bactérias podem influenciar processos inflamatórios e metabólicos que acabam afetando o funcionamento do cérebro”, exemplifica Oliveira, que também é professor da Universidade Católica de Brasília.

Influência das bactérias intestinais

A microbiota intestinal tem papel fundamental para a comunicação entre intestino e cérebro. Por lá, estão localizadas milhares de bactérias, vírus e fungos, habitantes naturais do nosso corpo. Por meio desses microorganismos, há a produção e modulação de substâncias que impactam o funcionamento cerebral. 

Por exemplo, substâncias precursoras de neurotransmissores que são fundamentais para a regulação do humor, sono e da ansiedade são fabricados na microbiota intestinal. Moléculas pequenas que intermediam reações químicas no metabolismo também são produzidas por lá.

Imagem colorida de iogurte - Metrópoles
Alimentos fermentados como o iogurte ajudam o nosso intestino a ter bactérias benéficas para a relação com o cérebro

Quando há desequilíbrios na microbiota (disbiose intestinal), a comunicação é diretamente prejudicada.

Existem muitos grupos diferentes de bactérias no intestino, e a composição dessa população pode variar bastante entre as pessoas. Quando temos mais ou menos determinados grupos bacterianos, isso pode influenciar a forma como essa comunicação ocorre com o cérebro”, afirma a gastroenterologista Débora Poli, que atua em São Paulo.

Hábitos que favorecem a relação intestino-cérebro

Para manter o eixo saudável, não há mistério. A adoção de hábitos saudáveis é a principal medida visando uma boa comunicação entre intestino e cérebro. Entre as principais ações, estão:

  • Ter uma alimentação rica em variados grupos de nutrientes, que favoreça o crescimento de bactérias benéficas na microbiota intestinal;
  • Consumir bastante água diariamente;
  • Praticar atividade física com regularidade para ajudar o intestino a trabalhar e auxiliar a liberação de neurotransmissores essenciais para a saúde mental;
  • Ter um sono adequado;
  • Evitar consumo excessivo de álcool e tabagismo;
  • Não usar antibióticos indiscriminadamente;
  • Controlar o estresse.
“As pesquisas atuais apontam que a saúde mental não depende apenas do cérebro isoladamente. Intestino, sistema imunológico e cérebro mantêm um diálogo constante ao longo da vida. Por isso, cuidar da alimentação, do sono, da atividade física e da saúde emocional não beneficia apenas um órgão específico, mas contribui para o equilíbrio global do organismo”, conclui o neurocientista.

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