Nutricionista faz alerta grave contra tendência de “menu Mounjaro”

Tendência de menus reduzidos inspirados em medicamentos levanta alerta sobre hábitos alimentares e medicalização do comer

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Uma caneta Ozempic em um guardanapo ao lado de um prato de comida não saudável, conceito de tratamento médico, controle do diabetes e escolhas de estilo de vida. Metrópoles
1 de 1 Uma caneta Ozempic em um guardanapo ao lado de um prato de comida não saudável, conceito de tratamento médico, controle do diabetes e escolhas de estilo de vida. Metrópoles - Foto: Getty Images

A popularização de medicamentos para controle do apetite, como o Mounjaro, começa a influenciar também a forma como restaurantes apresentam seus pratos. Em diferentes países, casas têm adotado versões reduzidas de refeições, muitas vezes batizadas como “cardápio Mounjaro” ou “menu Ozempic”. Para a neurocientista do comportamento alimentar e nutricionista Sophie Deram, a estratégia exige cautela: associar comida a remédios pode distorcer a relação das pessoas com a alimentação.

Entenda

  • Porções menores não são novidade: podem ser úteis em vários contextos, não apenas para quem usa medicamentos.
  • Efeito positivo depende de intenção: reduzir porções pode ajudar na percepção de saciedade.
  • Risco de distorção: ligar comida a remédios reforça ideias equivocadas sobre saúde e peso.
  • Comer vai além da quantidade: qualidade, prazer e consciência alimentar seguem centrais.

A tendência dos “menus medicamentosos”

Nos últimos meses, restaurantes passaram a adaptar seus cardápios, oferecendo pratos menores associados ao uso de medicamentos que reduzem o apetite, como os agonistas de GLP-1. A proposta, em tese, dialoga com um público que come menos — seja por tratamento médico, seja por escolha pessoal.

Segundo Sophie Deram, a redução de porções pode fazer sentido em diversas situações. “Não é algo exclusivo para quem usa medicamentos. Pode beneficiar pessoas que passaram por cirurgia bariátrica, quem está em reeducação alimentar ou simplesmente não está com tanta fome naquele dia”, explica.

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O que a ciência diz sobre porções menores

De acordo com a especialista, estudos conduzidos pela Universidade de Bruxelas mostram que diminuir o tamanho das porções pode ajudar a “renormalizar” a percepção do que é uma quantidade adequada de comida. Esse ajuste contribui para maior consciência alimentar, reforça sinais de saciedade e pode reduzir o consumo excessivo no futuro.

Nesse contexto, a estratégia pode ser uma aliada tanto da saúde pública quanto da experiência gastronômica, desde que não seja tratada como solução mágica.

Quando a tendência vira problema

O alerta da especialista surge quando a prática é transformada em modismo ou símbolo de status. “Chamar esses pratos de ‘menu Mounjaro’ ou ‘menu Ozempic’ pode criar a ideia de que comer menos é sempre melhor ou que medicamentos são o caminho principal para resolver questões de peso e saúde”, afirma.

Para Sophie, esse tipo de associação simplifica um tema complexo e pode invisibilizar fatores essenciais, como comportamento alimentar, respeito aos sinais internos do corpo e qualidade nutricional dos alimentos.

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Comida não é sinônimo de remédio

Ao batizar pratos com nomes de medicamentos, restaurantes correm o risco de reforçar uma lógica de controle, culpa e medicalização da alimentação. “Perdemos o foco no que realmente importa: entender como e por que comemos, e construir uma relação saudável com a comida”, diz a neurocientista.

Mais do que seguir tendências, ela defende que o debate sobre porções menores recoloque a alimentação em seu papel central: fonte de nutrição, prazer e conexão social — e não um símbolo de sucesso estético ou médico.

“Porções menores podem ser uma ferramenta positiva quando respeitam o corpo e o contexto de cada pessoa. O problema começa quando transformamos um remédio em ideal de comportamento alimentar. Saúde não se constrói por modismo, e sim por consciência”, conclui Sophie Deram.

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