Luto, Suor e Lágrimas: projeto reúne pessoas em luto para treinar e conversar
Em Nova York (EUA), um projeto tem reunido participantes para praticar exercício físico e conversar sobre o luto de entes queridos

Em Nova York (EUA), um clube diferenciado tem chamado atenção do público — mas a verdade é que ninguém realmente gostaria de ser incluído nisso. Conhecido por “Luto, Suor e Lágrimas”, o evento reúne pessoas para, além de praticar exercício físico, conversar sobre a morte de entes queridos. Por mais triste que pareça, a intenção é justamente compartilhar histórias sobre o processo de luto de uma forma mais leve.
“Obviamente, é algo que as pessoas não costumam discutir”, disse Margot Lichtenthal, ex-participante que perdeu o pai para o suicídio, a um portal norte-americano. “Mas quando você conversa sobre isso com alguém que realmente entende o que você passou, é uma história completamente diferente”, prosseguiu.

Apoio físico e mental
A morte do pai de Margot aconteceu em meio à pandemia do COVID-19. Na época, ela decidiu praticar hot pilates sozinha para encontrar algum tipo de conforto. Foi então que sua prima a convidou para conhecer o grupo: “Fazer exercícios físicos foi uma válvula de escape para mim quando tudo aconteceu, e pareceu a combinação perfeita entre liberar endorfinas e liberar minhas emoções ao mesmo tempo”, disse.
Os encontros começam com um treino focado em aliviar sintomas físicos provocados pelo luto. Depois, os participantes são convidados a participar de um momento de troca: conhecem novas pessoas e passam a compartilhar histórias que, por mais diferentes que sejam, carregam a mesma dor.
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Para muita gente, falar sobre uma perda tão grande é quase impossível, mas, segundo Lichtenthal, foi mais fácil do que ela esperava. “Quando você passa por isso, é muito fácil se sentir sozinho em uma sala cheia de gente. Poder falar sobre a minha história sem que fosse um evento dramático, mas sim expressar esses sentimentos de forma casual, foi muito mais terapêutico do que as pessoas imaginam”, afirmou.
Como surgiu
A ideia de criar o projeto foi de Betsy Kaplan, de 29 anos, que também perdeu o pai para o suicídio. Mesmo acompanhada de forma profissional por terapeutas, a jovem ainda sentia que tinha muita energia e tensão para liberar — e encontrou no exercício físico uma forma de extravasar tudo isso. “A terapia da fala é incrível, e eu sou fã incondicional. Mas, ao mesmo tempo, o movimento, em conjunto com a expressão das emoções, é simplesmente imbatível”, contou.

Gerente de relações públicas, ela passou a procurar estúdios fitness para propor a ideia, e muitas pessoas começaram a se interessar pela proposta. “Você se expõe, e a pessoa do outro lado ou consegue se identificar com a situação ou conhece alguém muito próximo que consegue”, destacou. “Porque o luto está realmente ao nosso redor”, completou.
A primeira turma contou com 13 pessoas e, inicialmente, as aulas exigiam um pequeno valor a ser destinado para instituições de caridades voltadas ao luto. Outras, em contrapartida, foram gratuitas a pedido de instrutores que também estavam vivenciando uma perda. Para participar, os interessados preenchem um formulário em que contam a história de quem perderam.
“Poder entrar nesses estúdios de fitness e simplesmente suar — e às vezes até chorar depois de uma boa descarga de suor”, brincou a idealizadora do projeto.
Outras formas de terapias seguem valorizadas
Kaplan faz questão de lembrar que a ideia não se trata de substituir a terapia e outros grupos de apoio, mas sim proporcionar um espaço em que falar sobre o luto não tenha sempre uma atmosfera clínica e triste.
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“Estamos tão ocupados tentando remediar tudo quando surgem situações desconfortáveis ou difíceis. Mas… este tipo de comunidade está aqui para ajudar você a continuar vivendo com o que passou e a crescer com isso”, comentou Margot Lichtenthal.
Agora, cada vez mais pessoas aparecem interessadas em participar das turmas, com pedidos para que também sejam levadas para outras cidades, como Chicago e Dallas. Acerca disso, a idealizadora afirmou que seguirá focada em criar uma comunidade única para quem vive um momento tão doloroso.
“Espero que as pessoas comecem a construir amizades e redes de apoio nas quais possam confiar. É lindo ver as pessoas se abraçando, trocando números de telefone e construindo seu próprio senso de comunidade em meio à dor, ao suor e às lágrimas”, concluiu.

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