Em meio a críticas de Trump, Museu Obama é inaugurado em Chicago
A cerimônia de abertura, realizada nessa quinta-feira, contou com apresentações de artistas como Christina Aguilera e Bruce Springsteen

O Obama Presidential Center, um espaço construído para expor a história de Barack Obama e de sua presidência, será inaugurado nesta sexta-feira (19/6) em um bairro popular de Chicago. A cerimônia de abertura, realizada nessa quinta-feira (18/6), contou com apresentações de artistas como Christina Aguilera, Bruce Springsteen e Stevie Wonder, além da presença dos ex-presidentes Joe Biden, George W. Bush e Bill Clinton, além de Obama.
Instalado no South Side, região de bairros pobres onde Obama viveu durante anos, o museu, apresentado oficialmente como uma “biblioteca presidencial”, chama a atenção por sua arquitetura de linhas puras, composta por um bloco de granito cinza quase sem janelas. Segundo os arquitetos Tod Williams e Billie Tsien, responsáveis pelo projeto, a torre de 69 metros de altura remete a quatro mãos estendidas para o céu.
O edifício representa mais um capítulo de uma tradição americana já bem consolidada. Bill Clinton, George Bush e Ronald Reagan construíram seus próprios museus e bibliotecas presidenciais, que contam parte de suas trajetórias e mandatos. Trata-se, inclusive, de uma prática regulamentada por uma lei aprovada pelo Congresso em 1955. Já se sabe também que Donald Trump pretende construir a sua própria versão em Miami, na Flórida.
A inauguração do museu de Obama vem sendo amplamente comentada há meses. O centro custou mais de US$ 800 milhões, um valor considerado elevado para um projeto que, segundo a equipe do ex-presidente democrata, pretende ser ao mesmo tempo um espaço de memória e um centro comunitário.
É “um refúgio de esperança”, afirma o site da Fundação Obama. A palavra “Hope” (“Esperança”) aparece, inclusive, em destaque na entrada do complexo. De acordo com os responsáveis, 100% do custo da obra foi financiado por doações privadas.
A instituição ocupa cerca de oito hectares no terreno que sediou a Exposição Universal de 1893. Os visitantes podem explorar arquivos escritos, fotos, vídeos e até apreciar presentes recebidos pelo ex-presidente durante seu mandato. O público também terá acesso a uma reprodução do Salão Oval na época em que Barack Obama estava na Casa Branca, antes de Donald Trump acrescentar sua decoração dourada.
“Lixo”: Trump zombou do projeto
Trump não deixou de criticar o centro presidencial, com ataques diretos. No início de junho, o atual chefe da Casa Branca ridicularizou o projeto do edifício de seu antecessor ao compartilhar nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial.
A montagem substituía a estrutura original por um enorme contêiner com um saco de lixo. Ele também removeu as áreas verdes ao redor do complexo e acrescentou, em seu lugar, barracas e acampamentos de pessoas em situação de rua. A imagem vinha acompanhada da legenda: “A Biblioteca Barack Hussein Obama, daqui a 10 anos, quando estiver totalmente madura!”
As críticas de Trump refletem uma certa resistência à arquitetura do edifício. O jornal The New York Times, por exemplo, considera que a torre é fria e pouco convidativa; o Washington Post fala em uma espécie de viagem no tempo; já o Guardian a compara a “uma prisão de ficção científica ameaçadora”. O projeto foi apelidado de “Obamalisco” e chegou a ser comparado por alguns a naves da saga Star Wars.
Mas não é apenas a arquitetura que gera controvérsia. A construção do centro em um terreno público, ao lado de bairros populares, deu origem a diversas ações judiciais que tentaram barrar o projeto.
Embora Barack Obama afirme que o objetivo do espaço é ser acessível a todos, a realidade é que, desde o anúncio da obra, os preços dos imóveis na região dispararam, enquanto a construção de moradias de alto padrão se acelerou. Sem contar que a entrada para o museu custa US$ 30.
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