Como o calor pode afetar a pressão arterial e o que você pode fazer
Cardiologista explica os efeitos do calor extremo para o coração e orienta como reduzir riscos no verão
atualizado
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As altas temperaturas do verão vão além do desconforto térmico e podem afetar diretamente a saúde cardiovascular. Em períodos de calor intenso, aumentam os casos de tontura, mal-estar, oscilações da pressão arterial, palpitações e até desmaios — especialmente entre pessoas com hipertensão ou doenças cardíacas, que precisam de atenção redobrada.
Entenda
- O calor provoca dilatação dos vasos e sobrecarga do coração
- A desidratação pode levar à elevação da pressão arterial
- Perda de eletrólitos interfere no ritmo cardíaco
- Hábitos simples ajudam a reduzir riscos cardiovasculares
Com a chegada do verão e das ondas de calor cada vez mais frequentes, os efeitos das altas temperaturas sobre o organismo se tornam mais evidentes. Segundo o cardiologista Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977), o sistema cardiovascular é um dos mais impactados nesses períodos.
“Quando faz muito calor, o corpo precisa dissipar calor para manter a temperatura interna. Para isso, os vasos sanguíneos se dilatam e o coração passa a trabalhar mais para bombear o sangue até a pele”, explica o especialista. Esse esforço adicional pode provocar variações na pressão arterial, sobretudo em pessoas com predisposição à hipertensão, diabetes, doenças renais ou histórico familiar de problemas cardiovasculares.

O médico ressalta que o calor pode provocar tanto quedas quanto elevações da pressão, dependendo de fatores individuais. Um dos principais vilões é a desidratação, comum nos dias quentes. “Com a redução do volume de líquidos no organismo, o corpo libera hormônios que aumentam a pressão arterial como mecanismo de compensação. Por isso, em muitos casos, o calor acaba elevando a pressão”, afirma Borges, médico consultor da Libbs.
Outro ponto de atenção é a perda de eletrólitos pelo suor, especialmente o sódio. Esse desequilíbrio pode afetar o ritmo cardíaco e intensificar sintomas como fraqueza, dor de cabeça e palpitações. Em situações de sudorese intensa, a reposição pode exigir líquidos com eletrólitos, e não apenas água.

Grupos como idosos — que costumam sentir menos sede — e pessoas que fazem uso de medicamentos como diuréticos, betabloqueadores ou vasodilatadores apresentam risco maior de descompensações cardiovasculares durante o verão. Nesses casos, o acompanhamento médico e a vigilância dos sintomas são ainda mais importantes.
Para reduzir os riscos nos dias mais quentes, o cardiologista recomenda medidas simples, mas eficazes: manter hidratação constante ao longo do dia, evitar atividades físicas ao ar livre entre 12h e 15h, usar roupas leves, buscar ambientes ventilados ou climatizados e moderar o consumo de álcool.
“O álcool piora a desidratação e interfere na regulação da pressão arterial, por isso deve ser consumido com cautela no verão”, alerta.
Quem já convive com hipertensão deve medir a pressão com mais frequência nessa época do ano, seguir corretamente o tratamento prescrito e procurar atendimento médico diante de sinais de alerta, como dor no peito, falta de ar, tontura persistente, palpitações intensas ou desmaios.
“Com informação, prevenção e alguns ajustes na rotina, é possível atravessar o verão com mais segurança e proteger o coração mesmo nos dias de calor extremo”, conclui Jairo Lins Borges.














