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Segundo a Associação Brasileira de Endometriose, a doença atinge cerca de sete milhões de brasileiras. Ela se caracteriza pela presença do tecido que, normalmente, reveste o útero, crescendo fora do órgão.

Em sua última edição, a revista Human Reproduction, da Universidade de Oxford, mostrou como o consumo de frutas é capaz de reduzir a chance de ter endometriose. Outro ponto destacado foi o fato de alguns vegetais aumentarem a probabilidade de desenvolvimento da doença.

Durante 20 anos, os pesquisadores coletaram informações demográficas, antropométricas e sobre o estilo de vida de 70.835 mulheres com idade entre 25 e 42 anos.

Em relação à dieta, verificaram a frequência com que elas ingeriam 130 alimentos, incluindo bebidas, com opções de respostas variantes entre nunca, menos de uma vez por mês e seis ou mais vezes por dia. O uso de suplementos nutricionais também foi monitorado para evitar distorções.

Algumas participantes relataram consumir frutas e outros vegetais três, quatro, cinco, seis ou mais vezes por dia. Essas tiveram, respectivamente, 9%, 10%, 18% e 12% menos risco de ter endometriose em comparação com as que afirmaram comer duas ou menos porções diárias.

As frutas cítricas foram o grupo mais atuante na prevenção da endometriose: mulheres que incluíram ao menos uma porção diária na dieta tiveram 22% menos risco em comparação às que consumiam o alimento menos de uma vez por semana. De acordo com os responsáveis pelo estudo, a provável responsável pelo benefício é a beta-criptoxantina, substância com propriedades anti-inflamatórias, transformada pelo organismo em vitamina A.

No entanto, analisados separadamente, frutas e demais vegetais apresentam resultados distintos. O consumo de três porções de frutas ao dia diminui em 14% o risco em relação às mulheres que degustam uma ou menos. A quantidade dos outros vegetais não influiu na incidência do problema.

E tem mais. Os vegetais crucíferos, em especial couve-flor, brócolis e couve de Bruxelas, aumentaram em 13% o risco. Os autores, no entanto, dizem ser necessárias pesquisas adicionais para esclarecer se esses causaram aumento real no número de casos.

A outra possibilidade é eles terem apenas facilitado o diagnóstico, tendo em vista que vegetais crucíferos tendem a potencializar as dores abdominais características da endometriose.

O ginecologista Marco Aurélio Pinho de Oliveira, chefe do ambulatório de endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), afirma que os resultados são extremamente interessantes, mas, alerta: não deve haver exagero.

“Os vegetais crucíferos são fontes de fibras e possuem nutrientes que trazem vários benefícios à saúde. Deixar de consumi-los é contraproducente. Da mesma forma, frutas cítricas em excesso podem acarretar dores abdominais e diarreia”, pondera.

O médico recomenda às mulheres incluir na dieta alimentos ricos em Ômega 3, como sardinha, atum, salmão, castanhas e amêndoas; evitar adoçantes, com exceção da estévia; reduzir açúcares e farinhas brancas; e priorizar hortaliças, carnes magras, ovos, queijo cottage, azeite de oliva, feijões e frutas, como caju, goiaba, limão e abacate — capazes de diminuir a resposta inflamatória. Óleos hidrogenados, sal refinado comum e temperos prontos também devem ser substituídos.

 

 

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