Alunos transformam aula em imersão artística na mostra Constelações
Cerca de 200 estudantes de Planaltina e do Guará visitaram a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
atualizado
Compartilhar notícia

Cerca de 150 alunos do CED Taquara Zona Rural de Planaltina trocaram a rotina da sala de aula por uma imersão no universo das artes nesta segunda-feira (1/6). Pela manhã, os estudantes, do nono ano e ensino médio, visitaram a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, instalada no Teatro Nacional Claudio Santoro. À tarde, 40 alunos do Centro Educacional 3 do Guará (CED 3) também compareceram à exposição.
A mostra, realizada pelo Metrópoles Arte, apresenta mais de 200 obras criadas por 41 artistas e tem entrada gratuita para o público. Com apoio da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), a exposição segue aberta para visitação até 17 de julho.


Mais do que um passeio cultural, a atividade tem caráter educativo. A proposta foi aproximar os estudantes de temas trabalhados recentemente em sala de aula, permitindo que eles observassem, na prática, diferentes manifestações artísticas e ampliassem seu repertório cultural por meio da experiência direta com as obras.
Enriquecimento educacional para estudantes da zona rural
O professor de artes Vagner Leite destacou que experiências fora da sala de aula enriquecem o aprendizado ao aproximar os estudantes de conteúdos que fazem parte do cotidiano.
Segundo ele, a exposição dialoga diretamente com temas trabalhados em aula, permitindo que os alunos observem, na prática, conceitos discutidos durante o ano letivo.
“A arte nos acompanha desde os primórdios e está presente no nosso dia a dia. Essa exposição dialoga diretamente com o conteúdo que é passado em sala de aula”, afirmou. O educador também ressaltou a relevância da mostra para estudantes mais velhos, já que as temáticas apresentadas estão alinhadas a assuntos cobrados em exames como o Enem e o Programa de Avaliação Seriada (PAS).
Para Vagner, o contato com obras produzidas por artistas do Distrito Federal também funciona como uma importante fonte de inspiração para os jovens. “Ter acesso a mais de 200 obras de mais de 40 autores de Brasília é muito significativo, porque conseguimos aprender sobre a arte que é feita aqui”, explicou. “Isso pode ser uma inspiração grandiosa para que ingressem na universidade ou, desde já, se interessem mais pela arte e pelos estudos”, completou.

Conhecer Brasília
Para o estudante Luiz Miguel Alves, a visita foi uma oportunidade de conhecer melhor a própria capital. Morador da zona rural, ele contou que a experiência ajudou a ampliar sua visão sobre Brasília e sua produção cultural. “Eu estou gostando porque a gente acaba conhecendo mais sobre Brasília. Como a gente mora em uma área rural, é pouco o conhecimento que a gente tem da nossa capital”, disse.
O aluno também revelou que sempre teve vontade de visitar o Teatro Nacional e comemorou a oportunidade de ir ao espaço pela primeira vez.
Miguel acredita que atividades como essa vão além do passeio e podem contribuir diretamente para o aprendizado.
Segundo ele, o contato com as obras desperta o interesse por outras manifestações artísticas e amplia o repertório cultural dos estudantes. “Conhecendo essas obras, a gente vai se interessando não só por essas, mas por outras também. Isso pode ajudar a gente em provas como o PAS e o Enem”, emendou.

Momento de inspiração
Na visão do professor Conan José, que acompanhou a visita, o contato dos estudantes com espaços culturais representa uma oportunidade rara, especialmente para aqueles que vivem em áreas rurais. “Essa é uma oportunidade que eles têm de ver algo diferente do que é posto para eles na vivência da zona rural”, salientou.
O educador acredita que o passeio contribui para o desenvolvimento pedagógico ao estimular a criatividade dos jovens e ampliar as perspectivas sobre a arte. De acordo com ele, muitos estudantes têm talento criativo, mas nem sempre reconhecem o potencial dessa habilidade. “Às vezes, eles não sabem que essa criatividade pode se tornar uma obra de arte. Essa é uma oportunidade para eles verem e pensarem: ‘Eu também consigo fazer algo parecido’”, complementou.

Estudantes do Guará no turno vespertino
Pela tarde, mais 40 alunos do Centro Educacional 3 do Guará (CED 3) também compareceram à exposição. Os estudantes do 1°, 2° e 3° anos do ensino médio tiveram a oportunidade de passear pelas galerias e conhecer as obras dos artistas brasilienses.
Para a professora Ingrid Ramos, que leciona as aulas de artes, passeios como este contribuem para a fixação do conteúdo, já que trabalham a alfabetização visual.
“É muito importante que a pessoa consiga olhar para uma imagem e identificar o que ela realmente representa. Isso envolve reconhecer quais elementos figurativos estão apresentados e qual mensagem a imagem deseja passar. Não podemos pensar apenas em letras e códigos, mas também na linguagem visual.”
Na sala de aula, os impactos positivos também são percebidos pela docente. “Isso está diretamente ligado à capacidade criativa. O ato de ver, olhar e observar permite que o estudante desenvolva uma memória visual capaz de assimilar materiais, texturas e formas de criação. Traz grandes benefícios tanto na escultura quanto na pintura e na colagem. Acredito que essa prática só tem a somar”, prosseguiu.
Em entrevista ao Metrópoles, a aluna Maitê Oliveira, do 3° ano, elogiou a reabertura do Teatro Nacional.
“Para nós é uma oportunidade muito legal de poder conhecer o espaço. Acredito que é muito importante que as pessoas possam conhecer e apreciar as artes, principalmente quem não tem tanto acesso”, declarou.
Metrópoles Arte
A exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional Claudio Santoro com mais de 200 obras de Sergio Camargo. A mostra permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 a 13 de março de 2026.
O sucesso do projeto consolidou o espaço como um importante centro de difusão cultural e abriu caminho para novas exposições que valorizam a produção artística nacional e local.
A nova edição reafirma o compromisso do Metrópoles em fomentar a cultura local e ampliar o acesso do público a iniciativas culturais em espaços emblemáticos da cidade. O projeto reforça a relevância da arte contemporânea na construção da identidade cultural da capital e no reconhecimento de Brasília como um importante polo criativo do país.






















