Sergio Camargo ocupa Brasília com esculturas de luz e silêncio
Em cartaz desde dezembro, mostra gratuita reúne cerca de 200 obras e apresenta a visão de Sergio Camargo sobre forma, espaço e percepção
atualizado
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Em cartaz desde dezembro de 2025, a exposição É Pau, É Pedra… apresenta ao público de Brasília um amplo recorte da obra de Sergio Camargo, um dos principais escultores brasileiros do século 20. Com cerca de 200 trabalhos, a mostra gratuita no foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro propõe uma imersão na pesquisa estética do artista, marcada pela relação entre luz, forma e percepção visual.
Transparência – Projeto É Pau, É Pedra – Sergio Camargo
Entenda a exposição em 4 pontos
- O artista: Sergio Camargo (1930–1990) construiu uma carreira de reconhecimento internacional, com linguagem escultórica própria.
- A mostra: “É Pau, É Pedra…” reúne esculturas, relevos e estudos produzidos ao longo de diferentes fases do artista.
- O espaço: a exposição ocupa o foyer da Sala Villa-Lobos, dialogando com a arquitetura modernista do Teatro Nacional.
- Visitação: a entrada é gratuita, com visitação até março de 2026.
“O artista plástico pensa pelos olhos”
A relação profunda entre percepção e criação está no centro da obra de Sergio Camargo. Em reflexão sobre seu próprio processo artístico, o escultor afirmou:
“O artista plástico pensa pelos olhos, o mundo lhe vem pelos olhos. Da mesma maneira, acredito que o músico pensa pelos ouvidos e estrutura sua vida, sua relação com o mundo, através dos sons — quer dizer, do ouvido. O artista plástico, eu em todo caso, se liga ao mundo por meio da visão que tem dele. Agora, o que eu olho, o que eu vejo, de que maneira eu sinto as coisas que me rodeiam — que coisas eu sinto? —, tudo isso, enfim, tudo se revela através da obra.” — Sergio Camargo
A citação sintetiza a essência de uma produção que rejeita a narrativa e aposta na experiência direta, sensorial e silenciosa da forma.
Uma obra construída pela luz e pelo espaço
Segundo o curador Marcello Dantas, a exposição não busca apenas reunir obras, mas criar uma experiência espacial capaz de revelar o pensamento do artista. Para ele, Camargo desenvolveu um vocabulário escultórico rigoroso, baseado na repetição de elementos cilíndricos, no controle absoluto da superfície e na maneira como a luz incide sobre o volume.
As esculturas não se impõem ao espectador: elas se revelam lentamente, à medida que o olhar percorre suas superfícies. O branco, recorrente na obra do artista, não é ausência, mas ferramenta para potencializar sombras, ritmos e tensões internas.
Do ateliê ao percurso expositivo
O projeto curatorial também apresenta a reconstrução do ateliê de Sergio Camargo, oferecendo ao público uma aproximação com o ambiente de criação do escultor. O espaço evidencia um método de trabalho marcado por disciplina, repetição e reflexão contínua sobre a forma.
Para Marcello Dantas, o ateliê funciona como extensão da própria obra: um lugar onde pensamento e matéria se encontram, e onde cada decisão formal nasce da observação atenta do mundo.

Atualidade de um escultor essencial
Em cartaz desde dezembro, a exposição reafirma a relevância de Sergio Camargo no panorama da arte brasileira contemporânea. Distante de modismos e classificações fáceis, sua obra segue atual ao propor uma experiência que exige tempo, atenção e presença.
Mais do que uma retrospectiva, É Pau, É Pedra… se consolida como um convite ao olhar — exatamente como o próprio artista defendia — e posiciona Brasília como palco de uma das mais abrangentes apresentações de seu legado.

A realização é do Metrópoles, com apoio institucional da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, e tem curadoria de Marcello Dantas, referência no país por desenvolver projetos que articulam arte, arquitetura, tecnologia e narrativa histórica.
A exposição conta com o patrocínio dos Cartões Caixa e Visa Infinite, além do apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
ServiçoExposição É Pau, é Pedra…, de Sergio Camargo, realizada pelo Metrópoles
Visitação de 10 de dezembro a 13 de março, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
De quarta-feira a segunda-feira, das 12h às 20h (terça-feira fechado para manutenção do Teatro)















