
Claudia MeirelesColunas

Constelações Contemporâneas celebra potência artística em Brasília
Iniciativa do Metrópoles Artes, a exposição Constelações Contemporâneas evidencia a diversidade da cena artística em Brasília
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Em uma noite marcada pela valorização da arte produzida no Distrito Federal, a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília foi oficialmente aberta nessa terça-feira (19/5), no Foyer da Sala Villa-Lobos, um dos espaços culturais mais emblemáticos da capital. Realizada pelo Metrópoles Arte, a iniciativa reuniu artistas, autoridades e convidados em uma grande celebração da produção cultural brasiliense.
Com curadoria de Monica Tachotte, a mostra gratuita apresenta cerca de 200 obras assinadas por 40 artistas de diferentes gerações, evidenciando a diversidade, a força e a pluralidade da cena artística local. O projeto também reforça a ocupação de espaços icônicos de Brasília por manifestações culturais, aproximando o público da produção desenvolvida no DF.


Entre os presentes na abertura, esteve a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF), que destacou a relevância da iniciativa para ampliar a visibilidade dos artistas da capital e fortalecer e posicionar a capital como uma referência na produção de artes visuais.
“Muitos desses artistas já são reconhecidos internacionalmente e pouco conhecidos aqui no Distrito Federal. Essa iniciativa dá vida ao Teatro Nacional ao trazer pessoas para cá e chamar o meio cultural. Tenho certeza que isso é muito importante para que Brasília tenha a vocação de ser a capital da República. Esse espaço foi pensado para isso. Uma exposição como essa mostra a força que é a nossa cultura”, frisou Celina Leão.
Constelações Contemporâneas exalta artistas brasilienses em celebração da potência local
A coluna acompanhou a abertura da exposição e conversou com os artistas participantes sobre a importância do projeto para a valorização da arte brasiliense.
Veja:
André Santangelo

“Eu fiz uma exposição aqui no mezanino em 1999 e, em 2000, levei essa mesma exposição para Londres. Esse é um espaço que estava fechado há muitos anos e, para mim, voltar aqui e expor é superlegal. Quanto mais eventos acontecem na cidade, mais a gente aumenta o público e, consequentemente, o segmento. É melhor para todo mundo.”
Antonio Obá

“É uma honra estar nesse lugar com esse grupo de artistas — uma boa parte conheço, são amigos de caminhada, pessoas muito queridas — e que, com o passar dos anos e decorrido do trabalho, a gente acaba perdendo o contato. Ter essa possibilidade tão bonita de celebrar isso conjuntamente é, para mim, muito honroso.”
Bruna Zanatta

“Depois de passar muito tempo me reconhecendo só como uma fazedora, eu entendi que existia um pouco além, que era a inevitabilidade de criar. Eu acho que todo artista tem isso, independente do como, do onde ou do porquê. Existe uma força que te faz querer criar e se descobrir através desse processo de criação. Eu acho que ser artista é um pouco disso e aqui tem muitos artistas já são superreconhecidos, quando eu descobri que a gente ia participar junto com eles, foi uma honra muito grande.”
Carlos Lin

“O convite da Monica, curadora, para participar da exposição, para mim, foi um presente da vida. Ela foi minha estudante na universidade. Tive o privilégio e a honra de ser professor dela. Depois, a gente trabalhou junto. E, quando ela me fez o convite, meu coração ficou quentinho.”
Camila Soato

“Antes mesmo de entrar na faculdade era um espaço que eu vinha, que eu permeia. Retomar esse lugar com as minhas obras e de vários colegas, celebra o Distrito Federal […] Aqui, você tem referência do Athos Bulcão, de Brasília, das brincadeiras debaixo do bloco. Ao mesmo tempo, Brasília, o Plano Piloto em volta, tem todas as RAs — as cidades satélites, como se dizia. E o cotidiano também, essa mistura da roça com o urbano, das brincadeiras que vêm de lá e vêm para cá”, disse.
Capra Maia

“É um evento grande, a gente fica feliz de estar participando. Movimenta mesmo a cena da cidade, sem dúvida. E de ter um público tão grande, não é? Porque muitas vezes a gente monta exposições e acaba sendo sempre um mesmo público que frequenta. Acho que é interessante a gente ter uma circulação e uma relevância maior, de fato ser visto.”
Celso Júnior

“Para o circuito de artes de Brasília, Constelações Contemporâneas representa um deslocamento importante de eixo. A mostra articula produções que dialogam diretamente com a matriz modernista da cidade, ampliando o debate estético da capital ao inserir novas gramáticas visuais em um território historicamente vinculado ao patrimônio arquitetônico. Para a cena local, significa atualização do nosso repertório de arte.”
Christus Nóbrega

“Esse é um espaço que nasce com um DNA do Teatro, das danças, das artes cênicas, mas que agora se expande, se conecta. Uma cenografia muito bonita, muito bem executada, uma cenografia do Gerivaldo Tavares que se conecta com o prédio — parece que sempre existiu aqui. E parabenizar também o Metrópoles por estar trazendo, estar produzindo, como mais um agente da cultura de Brasília”, disse.
Camila Courinos

“Os trabalhos que apresento na exposição atravessam diferentes momentos da minha trajetória. Há aquarelas que nunca haviam sido expostas, realizadas no início do meu percurso. É significativo perceber que muitos artistas conseguem manter sua produção sem necessariamente se deslocar para centros como São Paulo. Me alegra ver a diversidade de linguagens e técnicas presentes na produção brasiliense. Reunir todos esses trabalhos em uma mesma mostra torna ainda mais evidente a potência e a pluralidade dessa cena”, destacou.
Daniel Jacaré

“Desde o momento em que fui convidado para participar da exposição até agora, a ansiedade permaneceu a mesma. A reabertura do Teatro Nacional, voltada para uma iniciativa tão importante de valorização do cenário artístico de Brasília, torna tudo ainda mais simbólico. Sinto-me muito lisonjeado. Mais do que sobre as minhas obras, esta exposição fala sobre a força coletiva dos mais de 40 artistas reunidos aqui para impulsionar a arte produzida na cidade.”
Daniel Toys

O trabalho exposto estabelece um diálogo entre o Cerrado e o Sertão nordestino, reunindo referências de origem, memória e pertencimento. A proposta parte da ideia de “pintar um sonho”, transformando desejos, lembranças, poesia e símbolos cotidianos em composições marcadas por ícones que representam a trajetória humana e os diferentes caminhos da vida.
“É uma troca muito rica e uma experiência especial ver uma exposição que aborda a caminhada e a trajetória de cada artista a partir de diferentes visões. Iniciativas como essa são muito importantes para a cultura, para a cena artística e para o público, além de ampliarem a visibilidade dos talentos que Brasília apresenta.”
Desirée Feldmann

“Se você observar com atenção, o trabalho carrega diversos detalhes ligados a técnicas tradicionais de manufatura, como costura, modelagem e encadernação. São processos manuais que atravessam gerações e que eu gosto de chamar de ‘tecnologias atemporais’, porque permanecem vivos através das pessoas e das memórias. É muito legal estar nesse espaço ao lado de tantos artistas importantes para a cena de Brasília. Me sinto muito honrada.”
DUPLAplus

“Num primeiro momento eu tirava a foto dele, uma foto nossa. E aí quando ele desencarnou, eu falei: ‘Gente, como é que eu vou continuar sendo DUPLAPlus se eu não tenho mais o meu par?’ Foi quando entendi que a minha dupla era qualquer outro fotógrafo — uma pessoa do outro lado da câmera. Então aqui o espectador, ou uma pessoa tirando foto, já era minha dupla. Todo mundo que passou aqui pela frente virou minha dupla nesse momento. Virou um trabalho mais de abraço, em coletivo.”
Gabriel Matos

“Acredito que boa parte do que a Monica quis trazer com meu trabalho foi mostrar esse perpasso através do exílio do rural, que é muito o que minha poética fala. Nasci em Ceilândia, mas não me considero ceilandense naturalmente, porque eu só nasci lá. Me considero fruto do exílio do rural — que eu preciso sair para nascer, porque na minha cidade não tem infraestrutura. As pessoas não nascem lá, lá não entra na taxa de natalidade. A gente acaba vindo para a capital, que é a cidade maior e mais próxima.”
Gu da Cei

“Ceilândia é minha inspiração diária. As ruas de Ceilândia, o movimento de Ceilândia, a cultura que ela proporciona para a gente — que é também a cultura do Distrito Federal. Eu gosto de pensar essa ideia do Distrito Federal como um todo, porque a gente sabe que são diferentes territórios, cada um carregando a sua verdade, que contribui para ser tudo isso, para pulsar. E essa ideia também de entender e valorizar esse território como um território”, destaca.
Helena Lopes

“Quando chego em 2019, eu visito a Polônia e visitamos um campo de concentração. Então, esse chão que está nas fotografias é o chão do campo de concentração da Polônia. São muitas fotografias. Eu demorei quatro anos para resolver essa série. A fotografia é feita de forma digital — no celular.”
Íris Helena

“Eu sou uma artista que tem muito interesse sobre ruínas, sobre aquilo que se transforma. Inclusive, os próprios materiais que eu uso. Eu sempre tô usando materiais que são não usuais para fotografia, como, por exemplo, um lembrete, um papel higiênico. Então são coisas muito frágeis. Ou então uma pedra, né? Em tudo isso eu fico tentando trabalhar: a memória, a imagem fotográfica e essas histórias que eu conheço da cidade, de uma forma em que vai agregar um significado diferente.”
Léo Tavares

“Eu fiz faculdade de Artes Plásticas na UnB, atualmente chamada de Artes Visuais. Foi no campus que desenvolvi interesse pela ligação entre a escrita e a imagem. Eu transitava entre dois mundos: o da palavra e o da visualidade. Aqui, estão expostos trabalhos de assemblagem que fazem parte de uma produção mais recente. Embora não integrem uma série e sejam independentes entre si, ainda existe uma ligação pela técnica e pelos elementos da literatura e da poesia.”
Luisa Günther

As obras expostas de Luisa Günther dizem muito sobre suas paixões. “Temos duas entradas de produção: pinturas e fotoperformance. As pinturas que trago, na verdade, são ‘desenhuras’. É justamente essa mistura entre o desenho e a pintura. Espero que as pessoas se divertem e mergulhem nos trabalhos”, disse.
Maria Porto

“Brasília ainda é uma cidade muito jovem e, por isso, muitas vezes existe esse movimento de olhar para fora. Ter exposições e iniciativas como essa fortalece a cena local e faz a gente criar mais laços e raízes aqui. É muito bonito ver artistas de diferentes gerações coexistindo nesse espaço — nomes mais antigos, artistas da minha idade e até mais jovens. Ver tudo isso acontecendo em Brasília mostra que a produção contemporânea daqui também tem força, sem precisar sair para São Paulo ou Rio. Vivenciar a cidade é bem importante.”
Marina Fontana

“O meu campo de pesquisa é a paisagem de Brasília. Me aprofundo muito nos detalhes, fotógrafo muitos detalhes. E o pau-ferro é um campo de investigação. Eu fotografo os troncos e me inspiro neles. A série Pau-ferro é isso: é a inspiração desses troncos, das texturas, nas cores, nas formas.”
Marcos Antony

“O que mais chama a atenção é a necessidade de ter mais eventos públicos como esse, que façam esse contato entre arte contemporânea e o público de Brasília. Para mostrar que essa nossa produção também tem algo a mostrar, algo a perturbar, é uma potência. Tem muita coisa que está guardada e precisa ser mostrada. Esse lugar é quase uma fenda aberta nesta grande procura. A arte contemporânea, por mais que as pessoas digam que é provocadora, essa ideia da provocação é necessária.”
Nelson Maravalhas

“A abertura da exposição é um sucesso de público e promove um encontro entre diferentes gerações de artistas da cidade. Acredito que eu seja um dos mais experientes da mostra, ao lado de muitos artistas jovens, o que deixa interessante a cena cultural de Brasília.”
Patrícia Monteiro

“Fiquei muito feliz com o convite do Metrópoles e por ver meu trabalho como artista plástica sendo valorizado. O Cerrado está muito presente nas minhas obras, nesse resgate das paisagens e das memórias afetivas que carrego, principalmente da minha relação com a Chapada dos Veadeiros. Trago tudo isso de forma abstrata, deixando o espectador livre para interpretar. Muitas vezes, o que eu vejo não é o que o outro vê e é justamente essa troca de percepções e memórias que eu me interesso em provocar.”
Pamella Anderson

“É importante ter um novo espaço dando visibilidade tanto para jovens artistas quanto para artistas mais experientes As minhas pinturas nascem da influência dos rage comics, dos memojis e da linguagem dos emojis e smiles da internet. Elas misturam humor, exagero e excesso visual, quase como um ‘vômito ultraprocessado’ de referências digitais e emoções contemporâneas.”
Patricia Bagniewski

“É especial estar cercada de colegas com quem estudei ou com quem venho dividindo outras mostras. Acho que existe uma felicidade coletiva de estarmos juntos neste momento histórico de reabertura de um espaço que amamos e que simboliza tanto para Brasília. As pessoas vinham muito aqui ver orquestra e agora ele é dedicado também às artes visuais. É superemocionante.”
Paula Calderón

“Eu vim com cinco trabalhos. São pinturas sobre tela, todas telas relativamente grandes, e nelas eu retrato cenas da construção de Brasília. Nessa série, eu queria trabalhar muito essa questão das pessoas que vieram para a construção, sabe? Pessoas que vieram de vários lugares diferentes e largaram a vida para tentar um negócio novo em uma cidade que nem existia ainda.”
Raquel Nava

“Brasília tem muitos artistas, mas ainda poucos espaços dedicados à arte. Existem instituições importantes, como o CCBB Brasília e a Caixa Cultural Brasília, mas as galerias independentes ficam abertas, e depois de um tempo, fecham. Quando estão funcionando, são espaços bastante frequentados e vivos. Existe uma rede artística muito unida em Brasília. Os artistas se acompanham, se frequentam e se fortalecem.”
Raylton Praga

“Está tudo muito bonito, e fazer parte de uma exposição com tanta gente bacana é uma alegria imensa. Quando cheguei e fui procurar meu trabalho, fiquei muito contente com o resultado. Quando recebi o convite, apresentei vários trabalhos para a curadoria, e fico muito feliz com a escolha feita e com a forma como a obra dialoga com a exposição.”
Samantha Canovas

“É uma seleção de artistas muito ampla e que representa o que a arte do Centro-Oeste vem se tornando. Poder acompanhar a repercussão, ver as fotos da exposição e perceber como as minhas obras estão inseridas nesse contexto me deixa muito feliz. Uma delas é um trabalho muito significativo para mim: o Projeto 366, uma performance realizada ao longo de um ano. Na verdade, foram 367 dias em que usei apenas uma única roupa, o macacão que agora está exposto na mostra.”
Rogério Roseo

“Eu sou um jovem artista e, quando recebi o convite da Mônica, fiquei realmente muito honrado. De fato, a exposição reúne artistas de altíssimo nível. Você vê a qualidade dos trabalhos apresentados. Para qualquer artista, estar nesse ambiente, nesse espaço, é muito especial.”
Samantha Canovas

“É uma seleção de artistas muito ampla e que representa o que a arte do Centro-Oeste vem se tornando. Poder acompanhar a repercussão, ver as fotos da exposição e perceber como as minhas obras estão inseridas nesse contexto me deixa muito feliz. Uma delas é um trabalho muito significativo para mim: o Projeto 366, uma performance realizada ao longo de um ano. Na verdade, foram 367 dias em que usei apenas uma única roupa, o macacão que agora está exposto na mostra.”
Taigo Meireles

“Eu acho que é uma iniciativa excelente. Contempla gerações diferentes, produções diferentes, faz com que as pessoas se encontrem, ponham as obras lado a lado, cria contato, diálogo estético e coloca isso à disposição de um público que também reivindica a cidade.”
Thamires Moreira

“Comecei a pintar profissionalmente, digamos assim, em 2021, quando vendi meu primeiro quadro. As obras expostas hoje têm tudo a ver com as minhas origens: o Cerrado, a natureza e um pé de pequi em que eu subia quando era criança. Os quadros Ingá, Ingá 1 e Ingá 2 estão entre os meus preferidos. Eles foram feitos em homenagem à minha avó, que morreu na pandemia de Covid.”
Valéria Pena-Costa

“São quatro obras aqui, porque uma delas é um díptico. Meus trabalhos falam de fabulações, de memórias infantis. Eu espero, realmente, que as minhas obras emocionem as pessoas e que as pessoas busquem um pouco além daquilo que veem. Porque o meu trabalho sempre propõe algo por trás daquilo que é visível. Essa é a minha intenção.”
Victoria Serendnicki

“As minhas obras presentes na mostra propõem uma reflexão sobre a paisagem como construção simbólica da vida. Minha prática artística se constrói a partir da experiência direta com o mundo, das vivências, dos deslocamentos e do tempo dedicado à observação. A filosofia está profundamente presente nesse processo, orientando reflexões sobre o tempo, a impermanência, o silêncio e a forma como nos relacionamos com aquilo que nos cerca”, compartilha.
Virgílio Neto

“Os trabalhos que foram escolhidos têm muito a ver com o momento em que eu estou. Eu tenho reunido várias temáticas, mas elas têm se afunilado em paisagem, partindo da ideia do Cerrado, da terra, que se mistura também a questões de memória, questões oníricas. Eu tento fazer nas minhas pinturas um retrato, mas que não é óbvio, não é cartesiano. Inclusive, esses trabalhos que eu faço sobre Brasília são tudo, menos cartesianos”, detalha.
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