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Saúde

Vacina da dengue: maioria dos eventos adversos aparece em 21 dias

Especialistas reforçam que suspensão é preventiva e que a maioria dos eventos adversos costuma ocorrer nas três primeiras semanas

09/06/2026 14:46, atualizado 09/06/2026 14:57
Reprodução / Instituto Butantan
Foto colorida de vacina do Butantan na caixa com ampolas do lado - Metrópoles.

A suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan gerou dúvidas entre pessoas que já receberam o imunizante. Especialistas, no entanto, ressaltam que a medida é preventiva e faz parte dos protocolos de segurança adotados em campanhas de vacinação.

O Ministério da Saúde investiga eventos adversos graves registrados após a imunização. Até o momento, não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina.

Segundo a infectologista Giovanna Marssola, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, a interrupção temporária não deve ser interpretada como um sinal de que o imunizante seja inseguro.

“Até o momento, não há comprovação de que os eventos graves ou os óbitos investigados tenham sido causados pelo imunizante. Esse tipo de medida demonstra transparência dos sistemas de monitoramento e não deve ser interpretado como evidência de insegurança da vacina”, afirma.

Especialistas explicam que as investigações estão concentradas principalmente nos primeiros 21 dias após a aplicação. Isso porque eventuais reações relacionadas à vacina tendem a surgir nas semanas iniciais.

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O que fazer se você tomou a vacina?

  • Não há recomendação de exames ou tratamentos preventivos para quem está sem sintomas.
  • Quem recebeu a vacina há mais de 21 dias não está no período considerado relevante para a investigação.
  • Reações leves, como dor no local da aplicação, vermelhidão e febre baixa, costumam desaparecer espontaneamente.
  • Em caso de sintomas importantes ou persistentes, procure uma unidade de saúde.

Para o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, o período de maior atenção já está bem definido. “O que preocupa são os eventos que acontecem mais precocemente, em especial nas primeiras três semanas, até 21 dias após a aplicação. Nas pessoas que já tomaram a vacina há mais tempo do que isso, não é esperado que tenham eventos adversos relacionados ao imunizante”, explica.

Os sinais que merecem avaliação médica são semelhantes aos observados nos casos de dengue, como febre persistente, dor abdominal intensa ou sintomas que evoluem de forma diferente do esperado. Nesses casos, é importante procurar atendimento para que seja feita uma avaliação adequada.

Como funciona a investigação

Após a aprovação de uma vacina, o monitoramento continua por meio da farmacovigilância. Profissionais de saúde notificam eventos adversos suspeitos, que passam por análises municipais, estaduais e federais.

O objetivo é determinar se existe apenas uma relação temporal – quando o problema ocorre após a vacinação – ou uma relação causal, quando há evidências de que o imunizante realmente provocou o evento.

Enquanto as investigações seguem, especialistas reforçam que a suspensão temporária representa uma medida de cautela e transparência. A orientação para quem já recebeu a vacina continua a mesma: observar o estado de saúde habitual e buscar assistência médica caso surjam sintomas relevantes.