Vacina da dengue do Butantan: Saúde alerta vacinados há até 21 dias

Segundo o Ministério da Saúde, esse período é considerado o mais relevante para o monitoramento de eventuais ocorrências

atualizado

metropoles.com

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Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF
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1 de 1 vacina-dengue-1 - Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

O diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Eder Gatti, afirmou nesta segunda-feira (8/6) que a principal atenção das autoridades sanitárias está voltada para as pessoas que receberam a vacina da dengue do Instituto Butantan nos últimos 21 dias.

Segundo ele, esse período é considerado o mais relevante para o monitoramento de eventuais ocorrências que possam surgir após a imunização

De acordo com Gatti, após 21 dias da aplicação da vacina, não há motivos para relacionar possíveis problemas de saúde ao imunizante. Ele destacou que, passado esse intervalo, os vacinados passam a usufruir dos benefícios proporcionados pela proteção da vacina.

O diretor informou ainda que o Ministério da Saúde manterá a vigilância ativa por um período de 30 dias, com o objetivo de acompanhar possíveis notificações e garantir uma análise criteriosa dos casos registrados. Apesar disso, reforçou que os primeiros 21 dias permanecem como a principal referência para o monitoramento de eventuais eventos adversos.

“De qualquer forma, vamos orientar que a vigilância permaneça atenta por um período de 30 dias para monitoramento, tendo como referência esses 21 dias como o intervalo em que eventuais casos possam surgir”, afirmou Eder Gatti.

Gatti também afirmou que as pessoas vacinadas há mais de 21 dias não precisam se preocupar, uma vez que não há indicação de risco associado à vacinação após esse período. Segundo ele, a orientação é manter uma vigilância sensível para identificar e investigar qualquer caso que venha a ser notificado.

Devem ser observados:

  • Febre
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Vômitos persistentes
  • Tontura
  • Sangramentos
  • Sonolência intensa
  • Irritabilidade
  • Sinais de desidratação
  • Piora do estado geral

O que levou à suspensão

O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8/6), a suspensão temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, após o registro de 42 casos de reações adversas consideradas severas. Entre as ocorrências registradas, constam três casos mais graves, sendo duas mortes em investigação.

De acordo com Padilha, os 42 casos severos identificados representam cerca de oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas.

Apesar da baixa incidência em termos proporcionais, o governo decidiu adotar uma postura cautelar. A suspensão valerá para profissionais da Atenção Primária à Saúde e para as áreas onde a vacina vinha sendo aplicada em campanhas específicas, incluindo os municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), além da região de Araguaína (TO).

Quais foram os casos graves?

O primeiro caso envolve uma mulher, de 39 anos, que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, com choque e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI).

A paciente recebeu alta hospitalar.

O segundo caso foi o de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela morreu.

O terceiro caso ocorreu com um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante. O paciente evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário e também morreu.

Segundo o Ministério da Saúde, os três episódios representam sinais de alerta importantes, mas ainda não permitem concluir que a vacina tenha sido a causa dos desfechos observados.

E as mortes?

As duas mortes seguem sob investigação. Especialistas analisam informações clínicas, exames laboratoriais, histórico médico e outros fatores que possam ajudar a esclarecer se existe ou não relação causal entre os óbitos e a vacinação.

O governo reforça que, até o momento, não há evidências que permitam atribuir as mortes diretamente ao imunizante.

O que acontece agora?

A partir desta terça-feira (9/6), a estratégia atual de vacinação será interrompida temporariamente enquanto ocorre uma revisão dos dados de segurança.

O Ministério da Saúde informou que ampliará o monitoramento de casos na rede hospitalar, com atenção especial para pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias. A orientação é que qualquer sintoma ou reação adversa seja comunicada aos serviços de saúde para investigação.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, as evidências disponíveis continuam mostrando que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue.

O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão não significa que a eficácia do imunizante tenha sido colocada em dúvida, mas sim que a medida busca aprofundar a avaliação dos eventos adversos antes da continuidade da campanha.

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