Dengue: Padilha diz que ainda não há relação causal de vacina e mortes

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que duas mortes e três casos graves após vacinação contra dengue seguem sob investigação

atualizado

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Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anuncia medidas da pasta diante dos casos de intoxicação por metanol Metropoles
1 de 1 Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anuncia medidas da pasta diante dos casos de intoxicação por metanol Metropoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (8/6) que ainda não há evidências suficientes para estabelecer uma relação de causalidade entre a vacina da dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, e os três casos graves registrados após a aplicação do imunizante, incluindo dois óbitos.

A declaração foi dada durante o anúncio da suspensão temporária da estratégia de vacinação adotada pelo governo federal. A medida ocorre após o registro de 42 reações adversas severas entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas.

“Temos três casos graves que demandaram internação em UTI e, desses três, dois resultaram em óbito. Até este momento, com base nas investigações já realizadas pelos sistemas municipais e estaduais de vigilância, ouvindo especialistas e analisando os dados disponíveis, não há informações suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e a ocorrência desses casos graves”, afirmou o ministro.

Segundo Padilha, embora os dados atuais não permitam vincular os casos diretamente ao imunizante, os episódios são considerados um sinal de alerta para as autoridades sanitárias.

“Não existem dados suficientes para estabelecer uma relação de causalidade entre a vacina e esses casos. Ainda assim, trata-se de um sinal de alerta para o sistema de vigilância”, acrescentou.

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Pedro Ventura/Agência Brasília

O que levou à suspensão

  • O Ministério da Saúde anunciou a interrupção temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante do Butantan enquanto são concluídas as investigações sobre os eventos adversos registrados.
  • De acordo com Padilha, os 42 casos severos identificados representam cerca de oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas.
  • Apesar da baixa incidência em termos proporcionais, o governo decidiu adotar uma postura cautelar.
  • A suspensão valerá para profissionais da Atenção Primária à Saúde e para as áreas onde a vacina vinha sendo aplicada em campanhas específicas, incluindo os municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), além da região de Araguaína (TO).

Quais são os casos investigados

Entre os episódios considerados graves está o caso de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina.

Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, com choque e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI), mas recebeu alta hospitalar.

Outro caso envolve uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. O quadro acabou evoluindo para óbito.

O terceiro caso é o de um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante e evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário. O paciente também morreu.

As duas mortes seguem sob investigação das autoridades sanitárias.

Monitoramento será ampliado

A partir desta terça-feira (9/6), o Ministério da Saúde ampliará o monitoramento de possíveis eventos adversos relacionados à vacinação.

A orientação é que pessoas imunizadas há até 21 dias fiquem atentas ao surgimento de sintomas e procurem atendimento médico em caso de sinais de alerta.

Segundo Padilha, a suspensão não significa que a eficácia da vacina esteja sendo questionada. O ministro destacou que os estudos disponíveis continuam indicando proteção contra os quatro sorotipos da dengue.

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