Vacina da dengue: o que se sabe sobre mortes e casos graves

Ministério da Saúde suspendeu temporariamente aplicação do imunizante do Butantan após 42 reações severas. Dois óbitos são investigados

atualizado

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1 de 1 Ministro da Saúde, Alexandre Padilha - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8/6) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan.

A decisão foi tomada após o registro de 42 reações adversas severas entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas.

Além disso, duas mortes ocorridas após a aplicação do imunizante estão sendo investigadas pelas autoridades sanitárias.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a medida é preventiva e busca garantir a segurança da população enquanto os casos são analisados em detalhes. Segundo ele, ainda não há comprovação de que os eventos graves tenham sido causados pela vacina.

“Na área da saúde, muitas vezes a precaução é a melhor medida”, afirmou.
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O que motivou a suspensão?

  • A interrupção temporária da vacinação ocorreu após a identificação de três casos considerados graves, dos quais dois evoluíram para óbito.
  • Os episódios acenderam um alerta entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan.
  • Apesar da preocupação, as autoridades destacam que os eventos ainda estão sob investigação e não é possível estabelecer uma relação direta entre a vacina e os quadros clínicos registrados.
  • A suspensão vale para a estratégia atualmente adotada em profissionais de saúde da Atenção Primária e em áreas selecionadas para vacinação em massa, incluindo os municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), além da região de Araguaína (TO).

Quais foram os casos graves?

O primeiro caso envolve uma mulher, de 39 anos, que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, com choque e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI).

A paciente recebeu alta hospitalar.

O segundo caso foi o de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela morreu.

O terceiro caso ocorreu com um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante. O paciente evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário e também morreu.

Segundo o Ministério da Saúde, os três episódios representam sinais de alerta importantes, mas ainda não permitem concluir que a vacina tenha sido a causa dos desfechos observados.

E as mortes?

As duas mortes seguem sob investigação. Especialistas analisam informações clínicas, exames laboratoriais, histórico médico e outros fatores que possam ajudar a esclarecer se existe ou não relação causal entre os óbitos e a vacinação.

O governo reforça que, até o momento, não há evidências que permitam atribuir as mortes diretamente ao imunizante.

O que acontece agora?

A partir desta terça-feira (9/6), a estratégia atual de vacinação será interrompida temporariamente enquanto ocorre uma revisão dos dados de segurança.

O Ministério da Saúde informou que ampliará o monitoramento de casos na rede hospitalar, com atenção especial para pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias. A orientação é que qualquer sintoma ou reação adversa seja comunicada aos serviços de saúde para investigação.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, as evidências disponíveis continuam mostrando que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue.

O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão não significa que a eficácia do imunizante tenha sido colocada em dúvida, mas sim que a medida busca aprofundar a avaliação dos eventos adversos antes da continuidade da campanha.

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