Tácio Lorran

Saúde avisou estados sobre “erros de imunização” contra a dengue

Ofício circular encaminhado aos estados tinha nota técnica que alertava contra erros que pudessem causar “ocorrências médicas indesejadas”

atualizado

metropoles.com

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Fábio Marchetto / SES
Governo suspende vacina contra a dengue do Butantan
1 de 1 Governo suspende vacina contra a dengue do Butantan - Foto: Fábio Marchetto / SES

O Ministério da Saúde emitiu um aviso às superintendências estaduais da Anvisa sobre “erros de imunização” das vacinas contra a dengue — Takeda e Butantan. O comunicado foi disparado em março deste ano e tinha o objetivo de prevenir erros que pudessem causar a perda de eficácia ou ocorrências médicas indesejadas.

Nesta segunda-feira (8/6), o Ministério da Saúde suspendeu a vacinação contra a dengue com o imunizante do Butantan após duas mortes suspeitas serem registradas. Entre as 500 mil pessoas já vacinadas desde fevereiro deste ano, foram registrados 42 casos de reações adversas severas. Desses, três foram classificados como graves, incluindo as duas mortes que estão sob investigação.

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Para o início da campanha, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado
O vice-presidente Geraldo Almin vacina o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, contra a dengue
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O vice-presidente Geraldo Almin vacina o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, contra a dengue

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Divulgação/Butantan
Para o início da campanha, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado
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Para o início da campanha, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado

Divulgação/ Governo de SP

No alerta emitido aos estados em março, a pasta encaminhou nota técnica elaborada em fevereiro deste ano. O órgão ressaltou a importância de o documento ser distribuído aos municípios e “levado em consideração para eventuais ações investigativas e fiscalizatórias” sobre erros de imunização.

A nota descreve uma série de erros que podem acontecer durante o esquema de imunização e aponta as condutas necessárias para evitar riscos ao paciente, que são classificados como “Evento Supostamente Atribuível à Vacinação ou Imunização (Esavi)”.

Os casos das pessoas que morreram, e que causaram a suspensão da vacinação com o imunizante brasileiro, foram classificados como sinais de alerta por apresentarem quadros clínicos severos e incomuns, que não tinham sido verificados nas fases de estudo da vacina.

Em nota à coluna, o Ministério da Saúde informou que a nota técnica “trata-se de procedimento rotineiro, que visa a assegurar o manuseio e o uso corretos dos imunizantes”.

“À época, a rede de vigilância não havia detectado nenhum evento inesperado potencialmente decorrente da vacinação, logo não é adequado falar que houve aviso sobre “erros de imunização” – a nota em questão reforça as orientações aos profissionais de saúde, mas não menciona casos reais de nenhum tipo”, completou.

Entenda os casos

Caso 1: mulher de 39 anos (alta hospitalar) – o primeiro caso envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, o que exigiu internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após o tratamento, a paciente recebeu alta hospitalar.

Caso 2: mulher de 48 anos (morte investigada) – o segundo caso ocorreu com uma mulher de 48 anos. Dezenove dias após a vacinação, ela desenvolveu sintomas de dengue grave associados a um comprometimento neurológico, diagnosticado como meningoencefalite. O quadro teve evolução desfavorável e resultou em morte. De acordo com o Ministério da Saúde, as investigações ainda não permitem estabelecer relação causal entre a vacinação e o óbito.

Caso 3: homem de 58 anos (morte investigada) – o terceiro caso foi registrado em um homem de 58 anos. Cinco dias após receber a vacina, ele iniciou quadro febril que evoluiu rapidamente para sintomas de dengue grave, com choque refratário. Apesar do atendimento médico, o paciente morreu.

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