Tomou a vacina contra a dengue do Butantan? Saiba o que fazer
Ministério da Saúde interrompeu temporariamente o uso da vacina do Butantan enquanto investiga eventos adversos e graves
atualizado
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O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan no sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (8/6), após a notificação de eventos adversos graves em pessoas que receberam o imunizante.
A pasta informou que a medida é preventiva. Até o momento, não há confirmação de que a vacina tenha causado os casos investigados de reação graves. A apuração será feita por equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.
Quem tomou a vacina precisa se preocupar?
Quem recebeu a vacina não precisa procurar atendimento apenas por ter sido imunizado. A recomendação é observar o próprio estado de saúde, principalmente nos primeiros 21 dias após a aplicação. A pessoa deve buscar atendimento médico se apresentar sintomas como:
- Febre persistente;
- Dor abdominal intensa;
- Vômitos repetidos;
- Tontura;
- Sonolência fora do normal;
- Sangramentos;
- Desidratação ou piora rápida do estado geral.
Ao chegar ao serviço de saúde, é importante informar que recebeu a vacina contra a dengue e dizer a data da aplicação. Essa informação ajuda os profissionais a avaliar o caso e registrar a notificação, quando necessário.
Segundo a infectologista Giovanna Marssola, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, não há necessidade de pânico entre as pessoas que já foram vacinadas.
“As reações mais frequentemente observadas incluem dor no local da aplicação, vermelhidão e febre baixa. Elas geralmente têm resolução espontânea em poucos dias. Caso o indivíduo apresente sintomas intensos ou persistentes, deve procurar avaliação médica,” explica.
Por que a vacina foi suspensa
Segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 42 eventos adversos entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas. Dentro deste grupo, três casos chamaram mais atenção: duas mortes e uma internação em unidade de terapia intensiva (UTI), com alta posterior.
Os casos ocorreram em pessoas que apresentaram sintomas compatíveis com dengue grave dias após a vacinação. A investigação busca esclarecer se houve relação com o imunizante, com infecção pelo vírus da dengue ou com outros fatores de saúde.
De acordo com Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), os eventos adversos que merecem atenção são aqueles que acontecem mais precocemente.
“Não é esperado que pessoas que tomaram a vacina após 21 dias tenham eventos adversos. No caso de qualquer dúvida, vale procurar uma unidade de saúde e relatar a situação.” esclarece Cunha.
Por isso, a orientação das autoridades é tratar a suspensão como uma medida de segurança até que a análise seja concluída. Segundo Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista e coordenadora em vacinas na Dasa, o imunizante não foi retirado definitivamente do programa, mas teve o uso interrompido enquanto os dados são avaliados.
“A suspensão temporária não significa que as pessoas vacinadas estejam em risco ou que a vacina tenha deixado de ser eficaz”, explica.
A suspensão temporária da vacina não muda a principal orientação contra a dengue: evitar água parada e procurar atendimento diante de sinais de agravamento do quadro.
Enquanto a investigação segue, o Ministério da Saúde orienta que estados e municípios interrompam a aplicação da vacina do Butantan e mantenham a vigilância de casos suspeitos de dengue e de eventos adversos após a vacinação.