Sobrecarga na saúde só será aliviada quando 25% da população tomar vacina, dizem médicos

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações diz que hospitais e centros de atendimento continuarão lotados de pacientes com Covid-19

atualizado 21/01/2021 8:24

Vacinação no HUBJP Rodrigues/ Especial Metrópoles

A vacinação contra o novo coronavírus começou no último domingo (18/1) e, durante a semana, cenas animadoras se repetiram em vários estados brasileiros. No entanto, por conta de dificuldades em relação à importação de vacinas e de insumos para a produção em território nacional, a campanha de imunização não tem data certa para decolar.

O Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19, lançado pelo Ministério da Saúde em dezembro, prevê a vacinação inicial de 54 milhões de pessoas em quatro grupos prioritários, considerados os mais suscetíveis e vulneráveis à infecção provocada pelo vírus Sars-CoV-2. Para atender à demanda, serão necessárias 108,3 milhões de doses de vacinas, já descontados 5% de perdas.

O problema é que, até aqui, o Brasil só conta com as 6 milhões de doses da Coronavac aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em breve, outras 4,8 milhões de doses da mesma fórmula fabricadas pelo Instituto Butantan, de São Paulo, devem receber o aval para uso emergencial, o que significaria, 10,8 milhões de vacinas disponíveis. O país também espera por 2 milhões de doses da fórmula Oxford/AstraZeneca que estão na Índia. Ou seja, pouco mais de 10% do total necessário para os grupos prioritários está garantido.

Os especialistas em saúde consideram que, apesar da representatividade do início da campanha de vacinação, ainda vai demorar para que os serviços médicos sejam desafogados. “O impacto positivo da vacinação será percebido apenas quando os grupos prioritários, com maior chance de desenvolverem as formas moderada e grave da doença, forem vacinados”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha. Os prioritários definidos no plano do governo correspondem a cerca de 25% da população.

Para a presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gulnar Azevedo e Silva, o momento atual é de muitas dúvidas. “O problema é que está tudo muito incerto. Ainda não sabemos quando teremos as vacinas de Oxford/AstraZeneca e quando os insumos chegarão ao território nacional para a produção começar”, lamenta.

Na terça-feira (19/1), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirmou que o calendário de produção da fórmula Oxford/AstraZeneca terá que ser revisto porque os insumos estão retidos na China. “Uma péssima notícia, pois precisamos correr contra o tempo para baixar o número de pessoas suscetíveis, que podem se infectar, ficar doentes e ir a óbito”, avalia. Ela também estima que os serviços hospitalares só serão aliviados quando os prioritários estiverem vacinados.

A presidente da Abrasco destaca ainda a importância de o Sistema Único de Saúde (SUS) estar fortalecido quando a vacina chegar. “Só aprovar vacina não garante vacinação. A campanha precisa chegar em todos os pontos do Brasil para que as pessoas tenham acesso a imunizantes gratuitamente”.

Imunidade coletiva
O Brasil tem 211 milhões de habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para imunizar toda a população contra a Covid-19 serão necessárias cerca de 420 milhões de doses de vacinas. A imunidade coletiva é atingida quando a vacinação alcança entre 60 e 80% da população, isso significa, aproximadamente, a necessidade de 295,4 milhões de doses de vacinas.

Ao avaliar o cenário atual do Brasil, Juarez Cunha afirma que só será possível cobrir toda a população brasileira dentro de um prazo entre 18 e 24 meses. “Tendo vacinas e insumos, o PNI tem capacidade para fazer a campanha. Mas acho muito otimista conseguir um quantitativo para imunizar toda a população em 12 meses. É um número bastante elevado. Mesmo com a capacidade produtiva no máximo, não sei conseguiríamos tudo isso”, lamenta.

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