Início da vacinação não é o fim da pandemia. Veja cuidados a serem mantidos

Especialistas lembram que, até o pais alcançar a imunidade de rebanho, o vírus continua circulando e fazendo vítimas

atualizado 19/01/2021 19:20

máscaras covid coronavírusVera Davidova/Unsplash

O início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil deu esperança aos brasileiros, mas ainda é cedo para decretar o fim da pandemia. Mesmo com os imunizantes, que começaram a ser aplicados no último domingo (17/1), ainda é preciso manter as recomendações para conter o avanço do Sars-CoV-2.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é preciso vacinar entre 65% a 70% da população mundial para que a transmissão do vírus seja controlada. “A expectativa é de que a vacinação reduza o número de pessoas doentes e, portanto, a disseminação do coronavírus. Porém, ele vai continuar circulando enquanto a maioria das pessoas não receber a vacina”, explica Beatriz Quental, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), as 6 milhões de doses que compõem o primeiro lote da Coronavac serão distribuídas primeiro para pessoas consideradas mais vulneráveis à infecção pelo Sars-CoV-2. Profissionais da saúde, idosos e indígenas são os primeiros da fila.

Estudos recentes mostram que, mesmo entre aqueles que já foram infectados pelo coronavírus, há chances da transmissão continuar acontecendo. “Nenhuma vacina tem 100% de eficácia. Por isso, é imprescindível manter o uso da máscara, higiene de mãos e distanciamento social, que são as principais medidas para impedir a disseminação do vírus. Estas medidas serão ainda necessárias por um certo período de tempo”, detalha Beatriz Quental.

Cuidados antes de voltar ao normal

Antes de redefinir como será o tão falado “novo normal”, Eliane Tiemi Iokote, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica que é preciso esperar até que o número de casos diminua consideravelmente. “Só poderemos ter uma vida um pouco mais tranquila quando tivermos um número grande de pessoas imunizadas, o que diminuirá o número de casos, especialmente os graves e que necessitam de internação.”

Até chegar a sua vez de receber a vacina, é preciso manter a saúde em dia, para garantir que o imunizante seja o mais eficaz possível. Se a pessoa apresentar algum sintoma respiratório, como tosse, ou estiver com febre, a recomendação é esperar para receber o imunizante. “Somente com a febre cessada há 48h é que se deve tomar a vacina”, reforça Iokote.

Para os alérgicos, uma boa notícia: só há contraindicação em casos de alergias aos componentes da vacina. A alergia a ovo, por exemplo, não é uma contraindicação para receber nenhuma das vacinas contra a Covid-19 existentes hoje, segundo a infectologista.

Sintomas reduzidos da Covid-19 podem acontecer em pessoas que já foram imunizadas, de acordo com Eliane Tiemi Iokote. Embora a vacina não evite a infecção pelo Sars-CoV-2 em 100% dos casos, o que se espera, segundo a médica, é a redução de pacientes graves e necessitando de internações.

Infelizmente, as gestantes ainda não estão liberadas para a imunização, já que as vacinas liberadas para uso emergencial não incluíram pacientes grávidas em seus testes clínicos. O mesmo vale para pessoas com menos de 18 anos. “Ainda não temos informações [sobre a eficácia das vacinas] para esses públicos”, reforça Eliane.

Veja alguns cuidados que ainda serão indispensáveis até o fim da pandemia:

  • Higienizar as mãos frequentemente, com água e sabão, ou com álcool em gel 70%;
  • Ao tossir ou espirrar, cobrir nariz e boca com lenço ou com a parte interna do cotovelo;
  • Manter distância mínima de 1 (um) metro e meio entre pessoas em lugares públicos e de convívio social;
  • Higienizar objetos utilizados com frequência;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Manter os ambientes limpos e bem ventilados;
  • Se estiver doente, evitar contato próximo com outras pessoas, principalmente, idosos e doentes crônicos;
  • Utilizar máscara em todos os ambientes.
    (Fonte: Beatriz Quental, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo)
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