Seis meses de coronavírus: veja o que falta descobrir sobre a Covid-19

Muito já foi desvendado, mas a ciência ainda não encontrou respostas para algumas perguntas importantes sobre o patógeno

Imagem-coronavírus-SarsCov2_NiaidNiaid/Reprodução

atualizado 30/06/2020 9:45

Há exatos seis meses, completados nesta terça-feira (30/06), a Organização Mundial de Saúde (OMS) recebia a primeira notificação de uma nova pneumonia na China. De lá para cá, o coronavírus ganhou o mundo: infectou mais de 10 milhões de pessoas, foi responsável pela morte de 500 mil e trancou em casa bilhões de pessoas. Aeroportos inteiros foram fechados, negócios decretaram falência e a população vai começando a entender que a vida nunca será como antes da pandemia de Covid-19.

Para tentar decifrar melhor o coronavírus, a comunidade científica se debruçou sobre o patógeno. Aprendemos muito — Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, faz questão de lembrar o quanto já descobrimos. Sabemos como é disseminado, qual o caminho que percorre no corpo e quem são as vítimas fatais mais frequentes. Entendemos que forma coágulos, que gera uma reação inflamatória que enche os pulmões de líquido e impede que o paciente respire bem. Descobrimos alguns sintomas e a lista mais que dobrou desde os primeiros diagnósticos.

Porém, mesmo com um semestre de produção científica voltada quase que exclusivamente para a Covid-19, ainda há várias questões que continuam mistérios.

Ainda não se sabe, por exemplo, quantas pessoas realmente foram infectadas pelo coronavírus. O número de pacientes sem sintomas ou que só sentiu sinais leves da doença é relativamente alto — se cogita que 30% das pessoas sejam assintomáticas –, e este grupo nunca precisou procurar ajuda médica ou foi testado.

Sem saber a quantidade correta, também não se consegue fazer uma estimativa clara de qual é a taxa de mortalidade real do vírus, para que os governos possam preparar o sistema de saúde.

Ainda falta desvendar exatamente como e onde a infecção passou para os humanos e qual animal a transferiu. Por enquanto, a principal pista é o mercado de Wuhan, que vendia animais silvestres e pode ser relacionado com alguns dos primeiros pacientes com Covid-19, mas ainda não se tem certeza se foi lá que ocorreu a contaminação.

Outro mistério é com relação às crianças: logo no começo da pandemia se indicou que elas não sofreriam tanto com o vírus e que grande parte seria assintomática. Depois, a OMS afirmou que, sim, foram registrados óbitos de crianças com coronavírus. Apesar de serem poucos casos, a infecção foi ligada ao desencadeamento da síndrome de Kawasaki, uma condição inflamatória grave.

Também não se sabe exatamente qual é o papel das crianças na transmissão do vírus, se carregam altas cargas virais sem sintomas ou se o organismo delas consegue deter a ameaça logo de saída.

O fato, corroborado por estatísticas internacionais, de que os homens são mais atingidos pela doença também segue sem explicação, assim como por que algumas pessoas mal sentem os sintomas e outras podem morrer da Covid-19 mesmo sendo jovens e sem comorbidades. Há alguma discussão sobre características do sistema imunológico de cada paciente, mas ainda não se chegou a um consenso sobre o assunto.

Outra questão que continua aberta é sobre quanto tempo o paciente que teve Covid-19 fica protegido de pegar a infecção novamente. Os primeiros casos de reincidência na Coreia do Sul foram relacionados a falhas nos testes, mas um estudo recente descobriu que o organismo retém anticorpos contra o coronavírus por pouco tempo, cerca de três meses apenas.

Outra pesquisa afirma que alguns pacientes não ficam imunes à doença, mesmo já tendo testado positivo para ela. A resposta é fundamental para o desenvolvimento de uma futura vacina: quanto tempo durará a imunidade de quem recebê-la?

As questões que precisam ser esclarecidas ainda são muitas. As informações vão sendo atualizadas a cada dia e a produção científica está andando mais rápido do que nunca. Artigos publicados sem revisão da comunidade estão sendo avaliados rapidamente e as permissões para o início de novos estudos estão aceleradas.

O mundo vai aprendendo junto, com erros e acertos, sobre o vírus que abalou o planeta. E, segundo Tedros, da OMS, a pandemia ainda está longe do fim.

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