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Saúde

Proteínas vegetais pouco estudadas podem melhorar a saúde intestinal

Pesquisas mostram que proteínas vegetais pouco exploradas estimulam a produção de compostos associados à saúde do intestino e do metabolismo

29/07/2026 14:46
Reprodução/ Canva
vegetais crucíferos - Metrópoles

As fibras são conhecidas por ajudar a manter o intestino saudável. Agora, dois estudos indicam que proteínas presentes em alimentos de origem vegetal também podem desempenhar um papel importante. Os pesquisadores descobriram que elas estimulam as bactérias do intestino a produzir substâncias associadas à saúde intestinal e ao bom funcionamento do organismo.

Os trabalhos, publicados nas revistas Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), em 12 de fevereiro, e na Nature Metabolism, em 23 de junho, investigaram como diferentes componentes dos alimentos vegetais influenciam o metabolismo da microbiota intestinal.

Segundo os cientistas, essas proteínas podem atuar em conjunto com as fibras para favorecer um ambiente intestinal mais saudável.

Como as proteínas atuam no intestino

Ao analisar o metabolismo das bactérias intestinais, a equipe observou que fibras e proteínas vegetais não digeríveis alteram o tipo de substância produzida pelos microrganismos. Em vez de favorecer compostos associados a efeitos prejudiciais ao organismo, os nutrientes aumentaram a produção de metabólitos relacionados à saúde intestinal e ao equilíbrio metabólico.

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Os pesquisadores chamam essas proteínas de “proteínas que imitam fibras” (Prif), porque elas chegam praticamente intactas ao intestino grosso e servem de alimento para as bactérias da microbiota, de forma semelhante às fibras alimentares.

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Os experimentos mostraram que essas proteínas estimulam a formação de compostos derivados da fenilalanina, associados à saúde intestinal e ao controle do peso corporal, ao mesmo tempo em que reduzem a produção de metabólitos derivados da tirosina, relacionados a problemas observados em pessoas com doença renal e alguns tipos de câncer.

“As fibras já são reconhecidas por seus benefícios, mas essas proteínas vegetais pouco estudadas também remodelam a microbiota intestinal e alteram o metabolismo de maneira favorável”, afirmam os autores.

Como os cientistas chegaram a essa conclusão

Para entender a origem desses compostos, os pesquisadores marcaram proteínas vegetais com isótopos estáveis e acompanharam seu percurso durante a digestão em camundongos. Eles observaram que os metabólitos considerados benéficos eram produzidos principalmente a partir das proteínas presentes na alimentação.

Já os compostos associados a efeitos negativos surgiam, em grande parte, quando as bactérias utilizavam proteínas do próprio organismo, presentes no muco que reveste o intestino.

Segundo os pesquisadores, as fibras ajudam a reduzir esse processo, enquanto as proteínas vegetais aumentam a quantidade de nutrientes disponíveis para as bactérias, favorecendo a produção dos metabólitos considerados benéficos.

Nem tudo depende da microbiota

O segundo estudo trouxe outra descoberta importante. Até agora, acreditava-se que vários compostos derivados do metabolismo dos aminoácidos eram produzidos exclusivamente pelas bactérias intestinais. No entanto, experimentos com camundongos, ratos e células humanas mostraram que o próprio organismo também consegue produzir muitos desses metabólitos.

Os pesquisadores chegaram à conclusão ao observar que diversos compostos permaneceram em níveis parecidos mesmo após o uso de antibióticos, que reduzem significativamente a população de bactérias intestinais.

Por outro lado, substâncias produzidas apenas pela microbiota diminuíram após o tratamento, confirmando que algumas dependem exclusivamente da ação dos microrganismos.

Segundo os autores, os resultados ajudam a compreender melhor como diferentes componentes dos alimentos vegetais influenciam o funcionamento da microbiota e do próprio organismo.

Os autores acreditam que esse conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias alimentares mais direcionadas e, no futuro, apoiar novas abordagens para a prevenção e o tratamento de doenças relacionadas ao metabolismo e à saúde intestinal.