Pesquisa: anticorpos de pessoas internadas com Covid-19 são mais “potentes”

Quando aplicados em hamsters, as células de defesa humanas conseguiram eliminar o coronavírus

atualizado 26/07/2020 12:32

Imagem-coronavírus-SarsCov2_NiaidNiaid/Reprodução

Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriram que os anticorpos de pacientes que precisaram ser internados com Covid-19 são mais “potentes” do que os das pessoas com quadro leve da doença.

Por enquanto, a ciência não sabe muito sobre como o organismo se defende do coronavírus e por quanto tempo fica imune a novas infecções – a descoberta de anticorpos específicos e mais eficientes pode ser útil para a criação de uma nova vacina e otimização do tratamento com plasma.

Participaram da pesquisa 40 pessoas que tiveram a doença. Foram encontrados nos pacientes vários tipos de anticorpos neutralizantes, mas os cientistas restringiram o estudo aos produzidos pelos cinco pacientes que apresentaram os níveis mais altos de defesa. Todos tiveram quadro grave, ficaram internados e precisaram de ventilação mecânica.

“Os pacientes mais doentes tiveram cargas virais maiores por um período mais longo de tempo, o que permitiu ao sistema imune montar uma resposta robusta”, afirma David Ho, responsável pelo estudo, à revista Nature. Outras pesquisas já perceberam essa diferença no nível de defesa organizado pelo corpo. Essa seria uma explicação sobre as razões pelas quais alguns pacientes de quadros leves nem chegam a criar anticorpos específicos.

Os anticorpos específicos encontrados nos participantes graves foram clonados e multiplicados em laboratórios. Em seguida, aplicados em hamsters expostos ao coronavírus. Tecido do pulmão dos animais foi coletado quatro dias depois para verificar o estágio da infecção. Segundo os pesquisadores, houve uma “completa eliminação do Sars-CoV-2 infeccioso com um uso relativamente modesto de anticorpos”.

O professor Ho espera que a descoberta possa ajudar no desenvolvimento de um tratamento para a Covid-19 e de vacinas. Os próximos testes devem acontecer em humanos.

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