Cientistas identificam anticorpo que neutraliza coronavírus em laboratório

Pesquisadores da Holanda anunciaram ter encontrado um anticorpo humano que foi capaz de neutralizar o Sars-CoV-2 em culturas celulares

atualizado 04/05/2020 20:59

imagem de coronavírus vistos em laboratórioBSIP/Colaborador/Getty Images

Pesquisadores da Universidade de Utrecht, Erasmus Medical Center e Harbor BioMed, na Holanda, divulgaram, nesta segunda-feira (04/05), que o anticorpo responsável por neutralizar o coronavírus foi identificado. O estudo foi publicado na revista Nature Communications.

O time de especialistas pesquisava anticorpos que combatiam o Sars-Cov, que causa a Sars, e redefiniram o foco para procurar os micro-organismos que bloqueiam a ação do Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19. O anticorpo é totalmente humano e foi capaz de neutralizar a infecção do coronavírus em culturas celulares.

“Esse anticorpo neutralizante tem potencial para alterar o curso da infecção no hospedeiro infectado, apoiar a eliminação do vírus ou proteger um indivíduo não infectado que é exposto ao vírus”, afirmou Berend-Jan Bosch, líder da pesquisa, em um comunicado à imprensa.

Os cientistas explicam que ainda falta muito para descobrir se o anticorpo pode, de fato, ajudar a proteger ou diminuir a quantidade de vírus no organismo de pessoas infectadas, mas esperam que o trabalho ajude a viabilizar um tratamento no futuro.

“Acreditamos que nossa tecnologia possa contribuir para atender essa necessidade de saúde pública mais urgente e estamos buscando várias outras vias de pesquisa”, explica Jingsong Wang, um dos participantes do estudo.

Em entrevista ao G1, a pesquisadora Ana Maria Moro, do Instituto Butantan, explica que o trabalho é “muito preliminar” e que há outros mais adiantados.

“Fizeram um anticorpo humano, mas eles não sabem ainda como neutraliza exatamente. Isso eu achei um ponto de interrogação. E só fizeram ensaio em células de laboratório”, afirma a cientista, que também desenvolve um trabalho com anticorpos para o tratamento da Covid-19. “Eles identificaram uma sequência. Não quer dizer que eles tenham um produto pronto para usar. Precisa fazer estudo em macacos, precisa fazer as linhagens.”

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