Com 14 trios e ações de acessibilidade, Parada SP pede voto consciente
Parada SP completa 30 anos em 2026. Para além de uma celebração de aniversário, a edição deste ano promete ser a afirmação de uma posição
atualizado
Compartilhar notícia

Para além dos shows de Gloria Groove e Melody e 14 trios elétricos, a Parada SP – também conhecida como Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo – promete ser uma celebração de luta, coragem e ocupação que vai tomar conta das ruas da Avenida Paulista, na região central da capital de São Paulo, a partir das 10h do dia 7 de junho.
Completando 30 anos, a manifestação visa reafirmar um chamado direto: sem ocupar a rua, não há visibilidade. Sem ocupar a política, não há garantia. Com o tema “Parada SP 30 anos: A rua convoca, a urna confirma”, o aniversário da Parada é, para os organizadores, mais do que a celebração de uma história, é a afirmação de uma posição.
Desde 1997, a Parada ocupa a Avenida Paulista durante o mês de junho. A primeira edição da manifestação aconteceu na Praça Roosevelt, onde poucas pessoas enfrentaram o medo para dizer o óbvio: que as vidas delas importam.
Veto a crianças na Parada SP
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, no dia 20 de maio, um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, como a Parada do Orgulho da capital paulista, mesmo se estiverem com os pais ou responsáveis. A proposta ainda deve passar por segunda votação no plenário e, em eventual aceitação, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) pode vetar ou sancionar.
“Vai ter criança sim na Parada”, afirmou Nelson Matias Pereira, presidente da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, em coletiva realizada na noite desta terça-feira (26/5).
Considerada inconstitucional e discriminatória por ativistas de direitos humanos, a proposição é de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil). O texto também estabelece que os eventos da categoria sejam realizados exclusivamente em espaços fechados e com controle de entrada, inclusive com veto à ocupação e interdição de vias públicas.
Sob o pretexto de “proteger crianças e adolescentes de acessarem conteúdo impróprio”, o projeto de lei nº 50/2025 determina que eventos para a comunidade LGBTQIAPN+ deverão ter classificação indicativa para maiores de 18 anos e informar previamente a “natureza” ao público. As penalidades previstas são cumulativas e variáveis.
Em caso de descumprimento, a proposta de Rubinho fixa multa em R$ 100 mil para ocasiões consideradas de pequeno porte, com até 100 participantes presenciais ou remotos; e em R$ 500 mil para médio porte (até 500 presentes, mesmo que virtualmente). A penalidade por chegar a R$ 1 milhão para eventos grandes, com registro de até 1.000 ou mais pessoas, seja presencialmente ou de forma remota.
Acessibilidade
Em 2026, a Parada SP quer ser ainda mais inclusiva. Segundo Suzana Gimenez, secretária de acessibilidade do evento, a atual edição foi pensada a partir de “todas as deficiências”.
Em coletiva de imprensa, Gimenez apresentou uma proposta de “acessibilidade 360°” para a Parada LGBT+. “A acessibilidade começa antes de chegar na Paulista”, disse ela. Isso inclui o uso de libras, descrição de imagens, legenda e linguagem simples em publicações nas redes sociais.
Já na avenida, o ato deve contar com trajeto adaptado em todos os trios e QR code com atendimento remoto durante todo o período.














