Rioprevidência: PF aponta rombo após aporte em fundo com ações infladas
Rioprevidência investiu R$ 150 milhões em fundo com Ambipar meses antes das ações despencarem, o que gerou prejuízo de R$ 25 milhões, diz PF
atualizado
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Um dos quatro fundos usados pelo Banco Master para captar recursos do Rioprevidência, segundo a Polícia Federal (PF), era composto por ações infladas da empresa Ambipar, acumulando prejuízo de R$ 25 milhões após a desvalorização dos papéis. A autarquia é responsável pela gestão da previdência dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro. Já a multinacional brasileira entrou em colapso e pediu recuperação judicial em outubro de 2025.
A investigação da PF que embasou a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na semana passada e com o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro entre os alvos de busca e apreensão, afirma que o “Texas I Fundo de Investimentos em Ações” chegou a ter a carteira composta por 95% de ações da Ambipar.
Os papéis da empresa, porém, foram inflados, como mostra outra investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Diretores da autarquia federal constataram uma atuação coordenada, que resultou em alta de 863% nas ações, saltando de R$ 8,80 para R$ 76, entre junho e agosto de 2024.
Quatorze meses depois, em 21 de outubro de 2025, mesmo dia em que sua recuperação judicial foi divulgada ao mercado, as ações da Ambipar chegaram a R$ 0,41 – uma queda de 99,46%. Essa desvalorização gerou o rombo apontado pela PF, de R$ 25 milhões, na investigação sobre o Rioprevidência, já que a empresa aportou R$ 150 milhões no fundo entre junho e agosto de 2025, em cinco operações.
Ações infladas por Vorcaro e Tanure
Diretores da CVM consideraram o aumento artificial das ações da Ambipar como uma “troca de favores” entre o CEO da empresa, Tércio Borlenghi Júnior, o empresário Nelson Tanure e o ex-banqueiro do extingo Banco Master Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde março.
O fundo Texas, que era gerido pelo Master, também foi um mecanismo para aumentar artificialmente o preço da Ambipar, com uma compra em série das ações da empresa, entre 16 de julho e 9 de agosto de 2024.
Junto aos fundos Esna e Kyra, o Texas adquiriu participações que concentraram as ações anteriormente em circulação no mercado, reduzindo a quantidade de papéis disponíveis para negociação e, assim, elevando seu preço de forma extraordinária.
A Ambipar, com ações infladas, foi usada por Nelson Tanure para comprar a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). Tércio Borlenghi Júnior havia oferecido R$ 10 milhões de ações da Ambipar para a garantia da transação – que chegou aos R$ 760 milhões exigidos pela XP Investimentos para financiar o negócio.
Passado exatamente um ano da quitação da compra da Emae, as ações da Ambipar despencaram 61,4% em um único dia, em 2 de outubro de 2025.
Questionada, a Ambipar afirmou que não se manifestaria. O Metrópoles também entrou em contato com o Rioprevidência e o empresário Nelson Tanure, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.